Como fazer a gestão de risco na cadeia de abastecimento

como fazer gestão risco cadeia abastecimento

A pandemia de Covid-19 evidenciou a importância de criar uma estratégia de gestão de risco na cadeia de abastecimento. Logo em finais de 2019, muitas empresas que tinham fornecedores na China – o primeiro país a ser afetado pela pandemia – tiveram de reavaliar os seus modelos de negócio devido ao forte impacto que este acontecimento teve nos processos de várias indústrias.

Poderíamos pensar que uma pandemia desta dimensão e impacto seria certamente muito difícil de prever. No entanto, a verdade é que é possível planear para mitigar os riscos de uma rutura na cadeia de abastecimento.

“No centro destas crises está um tema comum – a falta de processos robustos para identificar e gerir de forma bem-sucedida os riscos crescentes da cadeia de abastecimento à medida que o mundo está a ficar cada vez mais interligado”, escreve a McKinsey & Company num artigo, acrescentando que a globalização exacerba os desafios. Ao aumentar a complexidade, diz a consultora, aumenta também o potencial de falha e, logo, os níveis de risco.

Nesse sentido, é fundamental ter e implementar uma estratégia de gestão de risco na supply chain, que permita identificar, avaliar e mitigar os riscos em todo o fluxo. E, com isso, poupar milhares ou centenas de milhares de euros a todas as indústrias, desde o setor automóvel, passando pela área farmacêutica até ao retalho alimentar.

Como abordar os riscos?

É importante mapear todos os fatores de risco na cadeia de distribuição para que estes possam ser claramente identificados. Desse modo, é mais fácil antecipar futuras disrupções, criar uma estratégia de gestão e lidar com os problemas que possam surgir.

Os riscos conhecidos e os riscos desconhecidos

De acordo com a consultora McKinsey, as empresas devem começar por identificar os riscos conhecidos e desconhecidos. Os primeiros são aqueles que se conseguem medir e gerir ao longo do tempo. Por exemplo, a falência de um fornecedor ou as vulnerabilidades relativamente à cibersegurança.

Neste caso, “as organizações devem investir tempo criando uma equipa multifuncional capaz de catalogar um conjunto completo de riscos que enfrentam, construindo uma estrutura de gestão que determina quais são as métricas apropriadas para medir os riscos”.

Contudo, quando se trata de riscos desconhecidos, mesmo na incapacidade de os prever, a solução passa por reduzir a sua probabilidade e aumentar a rapidez de resposta quando estes ocorrem, refere a McKinsey. Como? “Construindo camadas de defesa fortes combinadas com uma cultura de consciência do risco”.

Os riscos internos e os riscos externos

Ao antecipar as ameaças, pode também ser feita uma análise consoante a origem: tratam-se de riscos internos ou externos à organização?

Quando falamos de riscos internos, referimo-nos aos que dependem diretamente da organização, por isso, são mais fáceis de prever e de controlar. Tal é o caso dos que podem ocorrer durante o fabrico, os processos de gestão internos ou devido a fracas estratégias de planeamento e avaliação dos riscos.

Por outro lado, os riscos externos dependem de fatores terceiros e, como tal, são mais difíceis de prever e de controlar. Podem ter origem nos erros de cálculo relacionados com a procura, nas dificuldades referentes ao fornecimento de matérias-primas ou mesmo em problemas de natureza ambiental, social, económica ou política. A pandemia de Covid-19 é um exemplo deste tipo de riscos.

Estratégias de gestão de risco na cadeia de abastecimento

Conseguir gerir os riscos na cadeia de abastecimento implica vários passos. Assim, quando estão em causa riscos conhecidos, a consultora McKinsey refere quatro práticas:

  • 1.º passo: identificar, documentar e avaliar de forma continuada os riscos em cada nó da cadeia de abastecimento (fornecedores, fábricas, armazéns e rotas de transporte).
  • 2.º passo: construir um enquadramento ou plano de contingência para a gestão de risco na cadeia de abastecimento que contemple três níveis: o impacto caso o evento ocorra, a probabilidade de a ameaça se materializar e a preparação da organização para enfrentar cada risco em específico.
  • 3.º passo: monitorizar o risco de forma persistente, uma tarefa que é facilitada pela grande diversidade de ferramentas digitais disponíveis. Estas ajudam a identificar e a acompanhar o desempenho dos principais indicadores de risco. Apostar na ciência de dados ou na análise preditiva permite criar modelos avançados e antecipar problemas.
  • 4.º passo: no que respeita a governance, estabelecer um mecanismo robusto que permita rever periodicamente os riscos da cadeia de abastecimento. Ao mesmo tempo, definir ações de mitigação desses mesmos erros com o objetivo de melhorar a resiliência e a agilidade da cadeia de abastecimento.

No caso dos riscos desconhecidos, pela sua própria natureza, podem ser geridos através de uma junção de fortes mecanismos de defesa e da criação de uma cultura de consciência do risco, de acordo com a experiência da McKinsey. Conte com o conhecimento e com uma vasta gama de serviços logísticos da Rangel para assegurar uma gestão de risco na cadeia de abastecimento mais eficiente e mais segura.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
McKinsey & Company, A practical approach to supply-chain risk management. Acedido a 10 de maio de 2021
https://www.mckinsey.com/business-functions/operations/our-insights/a-practical-approach-to-supply-chain-risk-management
Hitachi Solutions, 10 Supply Chain Risk Management Strategies. Acedido a 10 de maio de 2021
https://global.hitachi-solutions.com/blog/supply-chain-risk-management
Solistica, Gerenciamento de risco na cadeia de suprimentos. Acedido a 10 de maio de 2021
https://blog.solistica.com/pt-br/gerenciamento-de-risco-na-cadeia-de-suprimentos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *