Exportação de vinho: aspetos que deve ter em conta

Exportação de vinho: os aspetos que deve ter em conta

O setor vinícola não escapou aos efeitos da pandemia, mas os dados da exportação de vinho mostram que esta é também uma indústria resiliente. Com o impacto negativo do encerramento ou mesmo da limitação de funcionamento dos restaurantes e bares devido à Covid-19 em Portugal, o setor voltou-se para os mercados externos.

Os dados relativos à exportação de vinhos portugueses são, aliás, prova disso. Afinal, a exportação de vinho cresceu cerca de 5% entre janeiro e novembro de 2020 em comparação com os mesmos meses no ano anterior, totalizando quase 777,5 milhões de euros em vendas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística divulgados pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).

Os números mostram que se mantém a tendência de crescimento do setor nos últimos anos, o que leva Portugal a figurar como 9.º maior exportador de vinhos do mundo. No entanto, para que as exportações nacionais continuem resilientes, há vários aspetos a ter em conta.

As tendências na exportação de vinho

Para que os produtores de vinho possam potenciar as vendas nos mercados externos, a AICEP evidencia alguns fatores: “Para promover os vinhos portugueses é importante a participação em feiras profissionais e o reforço de ações de divulgação junto de prescritores, com o apoio de parceiros locais e o recurso a profissionais especializados.” Ao mesmo tempo, a agência salienta a relevância do universo digital: “O canal online não pode ser descurado, nomeadamente no que respeita aos marketplaces genéricos e especializados e às lojas online”.

Olhar para os mercados com maior potencial

Recorrendo novamente às estatísticas, é assim possível verificar que os principais mercados em termos de potencial estão fora da União Europeia. Desse lote faz agora parte o Reino Unido por via da concretização do Brexit. Para este país, o valor de vendas disparou 13,3% entre janeiro e novembro de 2020 em comparação com o período homólogo.

Por sua vez, exportar vinho para o Brasil continua a ser uma aposta promissora. No top cinco dos países que mais compram vinhos a Portugal, a taxa de crescimento das vendas foi superior a 21%.

Além destes dois países, os EUA e o Canadá destacam-se como grandes compradores de vinho português, evidenciando no entanto taxas de crescimento mais baixas de 4% e 6,3%, respetivamente. Embora com menos peso, a Suécia e a Polónia merecem também um olhar atento, uma vez que registam taxas de crescimento de dois dígitos.

Ao contrário, apesar de volumes de compras assinaláveis, tanto França (o país que mais compra a Portugal) como a Alemanha registaram quedas no mesmo período. No primeiro caso, a redução foi de 4,9% e, no segundo, de 2,8%. Por outro lado, com uma queda de quase 28%, exportar vinho para Angola deixou de ser tão atrativo.

Apostar no e-commerce e no marketing digital

O reforço do e-commerce foi notório com a pandemia de Covid-19, e o impacto fez-se sentir em todos os setores. O vinho não foi exceção. Dessa forma, logo em junho de 2020, a ViniPortugal promoveu a criação de uma plataforma digital na qual consta informação sobre a venda online de vinhos, tendo aderido desde logo mais de duas centenas de produtores.

Por conseguinte, no âmbito desta iniciativa, criou-se uma página, Wines of Portugal, com informação em inglês sobre os produtores que asseguram entregas de vinho para outros países.

Perante esta aposta, o marketing digital ganhou maior relevância entre as marcas vinícolas como forma de atrair a atenção dos consumidores, que, sobretudo e cada vez mais, pesquisam e compram online.

Recorrer aos apoios à internacionalização

Pois bem, para impulsionar as vendas e explorar novos mercados, é importante recorrer aos apoios comunitários vocacionados para a promoção do setor do vinho no exterior. Através do website do IVV, é possível acompanhar a abertura de concursos.

Ciente de que a exportação de vinho é uma via imprescindível para o setor, o próprio Governo português tomou medidas que visam reforçar os apoios. Aliás, isso mesmo referiu a Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, no discurso de encerramento do Fórum Anual Vinhos de Portugal, realizado pela ViniPortugal, em novembro.

“Sabendo da importância da internacionalização dos vinhos, num mercado muito competitivo, adiantamos ainda 5,5 milhões [de euros] na medida de promoção a países terceiros, e flexibilizámos as condições, tornando elegíveis ações canceladas, não penalizando projetos que não atinjam a taxa de execução prevista e prorrogando prazos”, afirmou assim a ministra, citada no Portal do Governo.

Passos para exportação de vinho

Encontrando os caminhos para potenciar as vendas de vinhos a países terceiros, importa tomar notas do que é preciso ter em conta no processo de exportação. Os passos são, então, explicados pelo IVV, tutelado pelo Ministério da Agricultura.

  1. Inscrição no IVV: é obrigatória e deve ser feita na categoria de “exportador ou importador”. Além disso, deve estar registado também no IVV, numa atividade do setor vinícola. Por exemplo, armazenista, negociante sem estabelecimento, etc.
  2. Emissão de documento de acompanhamento: este documento está previsto nas normas comunitárias e deve acompanhar o transporte de produtos vitivinícolas, sendo muito útil para validar o cumprimento das normas comunitárias e nacionais no setor. Há vários tipos de documentos que cobrem o trânsito entre as instalações do expedidor e o último ponto de expedição sempre que está em causa o território comunitário.
  3. Emissão de certificados ou declarações: podem ser exigidos por alguns países. Nestes casos, o IVV pode emitir a Declaração de Livre Venda, o Certificado Sanitário (Health Certificate) ou a Declaração de Registo de Entidade, entre outros documentos.
  4. Envio da Declaração de Intenção de Expedição ou Aquisição de Produtos Vínicos ao IVV no caso de trânsito a granel de, ou para, fora do território nacional.
  5. Pagamento da Taxa de Promoção e da Taxa de Coordenação e Controlo ao IVV no âmbito da comercialização de vinhos e produtos vitivinícolas sem Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP).

Para além dos passos anteriores, será também importante considerar o papel que os entrepostos fiscais podem desempenhar no processo de exportação e em toda a cadeia de abastecimento de mercadorias sujeitas a IEC – imposto especial sobre o consumo. 

A utilização de um Entreposto Fiscal permite que as empresas que importam, por exemplo, bebidas alcoólicas em Portugal adiem o pagamento do imposto especial de consumo (IEC) e do IVA – pagáveis até que as mercadorias sejam vendidas. Enquanto o seu stock está armazenado no armazém alfandegado, a empresa não é obrigada a pagar nenhuma taxa. Deste modo, a possibilidade de adiar o pagamento dos direitos aduaneiros oferece às empresas a flexibilidade e tempo para organizar o que pretendem fazer com o seu stock, seja para a venda local ou mesmo reexportá-lo ou transferi-lo para outro entreposto, esteja ele em Portugal ou num outro estado membro. 

No entanto, dependendo do país de destino das exportações de vinho, podem existir outras exigências, sendo, portanto, aconselhável consultar a página da União Europeia, o Market Access Database, com informação detalhada sobre cada país.  

Através da unidade Wines & Beverage, a Rangel fornece uma solução integrada de logística com características distintivas e adaptadas às necessidades da indústria nacional de exportação/importação de vinhos e bebidas espirituosas. Esta integração permite à Rangel atuar com proximidade junto dos produtores nacionais, gerando assim sinergias e aumentando a sua competitividade. Enquanto operador logístico, disponibilizamos serviços de transporte por via aérea, marítima ou terrestre, armazenagem, processamento aduaneiro e responsabilidades fiscais. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
AICEP, Aicep lança estudo de mercado sobre vinho na Alemanha. Acedido a 01/02/2021.
https://www.portugalexporta.pt/noticias/aicep-lanca-estudo-mercado-vinho-alemanha
Instituto da Vinha e do Vinho, Exportação. Acedido a 01/02/2021.
https://www.ivv.gov.pt/np4/499/
Instituto da Vinha e do Vinho, Jornal Oficial da União Europeia, Regulamento (Ce) N.O 436/2009 da Comissão, de 26 de Maio de 2009. Acedido a 01/02/2021.
https://www.ivv.gov.pt/np4/np4/q?newsId=542&fileName=Reg_436_2009.pdf
Instituto da Vinha e do Vinho, Novo Regime das Taxas Incidentes Sobre o Vinho e os Produtos Vitivinícolas. Acedido a 01/02/2021.
https://www.ivv.gov.pt/np4/np4/no4/5359.html
Instituto da Vinha e do Vinho, Sistema de Informação da Vinha e do Vinho. Acedido a 01/02/2021.
https://sivv.ivv.gov.pt/
União Europeia, Access2Markets. Acedido a 01/02/2021.
https://trade.ec.europa.eu/access-to-markets/en/content/welcome-access2markets-market-access-database-users
Wines of Portugal, Where to buy. Acedido a 01/02/2021.
http://www.winesofportugal.info/pagina.php?codNode=118419&market=2#tab_2
World’s Top Exports, Wine Exports by Country. Acedido a

Comentários
  • Olá.
    Não seria também pertinente aumentar o expositivo nas redes sociais, que atualmente são tão utilizadas por vários utilizadores e possíveis consumidores? Fazendo assim face aos problemas impostos pela pandemia no que toca ao agrupamento de pessoas num pequeno espaço.
    Obrigada! Achei muito interessante a sua publicação.

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