Cadeia de Abastecimento no Ecommerce

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O ecommerce tem sido encarado como a panaceia para os impactos negativos que a Covid-19 tem originado no comércio de bens, no entanto, esta modalidade de negócio deve ser entendida como parte de um sistema maior e mais complexo, como é toda a cadeia de abastecimento no ecommerce, da qual fazem parte, por exemplo, a produção e a logística.

Embora as compras online tenham aumentado à medida que os consumidores mais temerosos evitaram sair à rua, a verdade é que esse aumento tem, também, mascarado outras vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento que suportam o ecommerce. Não há dúvidas que comprar online oferece maior comodidade, no entanto, é importante ter em conta que a sua efetivação é apenas uma camada de um complexo sistema que é a cadeia de abastecimento. Se a estrutura da cadeia de abastecimento da qual depende o comércio online for débil, toda a sofisticação tecnológica da loja online, por si só, não seria capaz de sustentá-la. A atual crise é um bom momento para fazer um balanço das vulnerabilidades dos principais intervenientes na cadeia de abastecimento no ecommerce.

O ecommerce é, habitualmente, descrito como um conjunto de operações das quais fazem parte a gestão da plataforma de eCommerce, o marketing digital e o apoio ao cliente. No entanto, a sua operacionalização, e sucesso, depende de muitas outras camadas, muitas vezes, menos visíveis. A este nível, destacam-se, por exemplo, os produtores e fornecedores de bens. Tem-se verificado que, enquanto existem stocks, o ecommerce tem aliviado as dificuldades do confinamento impostas aos consumidores durante a pandemia. Porém, uma vez esgotados os stocks, as atenções tem-se voltado para as “figuras ocultas” da cadeia – os produtores e fabricantes de bens.

Dado que o novo coronavírus não tem encontrado grandes barreiras à sua disseminação, todos os países, todos os setores e todos os elos da cadeia tem sido, de alguma forma, impactados, o que, invariavelmente, tem provocado atrasos na produção. Na indústria da moda, por exemplo, parte da produção transferiu-se da China para outros países, como o Vietname ou Bangladesh (que quando comparados com a China, apresentaram taxas de infeção pela Covid-19 mais reduzidas), no entanto, também estes países foram afetados pela escassez de materiais que são fabricados na China. Algo muito semelhante aconteceu, também, na indústria da eletrónica de consumo, que muito depende de componentes fabricados na China ou outros países do Sudeste Asiático. É, por isso, irrefutável, que o impacto da Covid-19 na produção de bens, tem consequências em toda a cadeia de abastecimento, inclusive nos negócios online B2C.

Transporte e logística são outras duas variáveis muito importantes em qualquer operação de eCommerce. No Sudeste Asiático, por exemplo, tem-se verificado uma procura crescente pelo comércio eletrónico, estimulado, em grande medida, pela melhoria da conectividade, pela ascensão da classe média e pela cultura das redes sociais, no entanto, a complexidade geográfica da região, tem evidenciado que a logística se assume como o pronto crítico para o sucesso das operações de ecommerce.

A logística pode, naturalmente, constituir-se uma fonte de vantagem competitiva para os retalhistas online, podendo refletir-se, com expressão, na eficiência de custos, bem como, na experiência do consumidor. Este facto explica o porquê de alguns dos maiores retalhistas online terem vindo a fazer elevados investimentos nesta componente das suas cadeias de abastecimento, quer através do aumento do nível integração com os seus parceiros logísticos, quer através da aquisição de alguns destes parceiros, com o objetivo de obter maior controlo e níveis de eficácia em elos críticos da cadeia.

No domínio da logística, a entrega last mile, responsável pela entrega das encomendas ao cliente, e consequentemente, por parte do sucesso da experiência de compra, tem, também, estado sobre forte pressão neste período de pandemia, resultante do crescimento súbito e significativo do volume de compras online mas, também, pelas medidas sanitárias que, naturalmente, também tem sido aplicadas a toda a atividade logística. Este contexto, tem impelido as transportadoras a acelerar processos de inovação, de modo a dar resposta ao crescimento de procura pelos seus serviços mas, também, por forma a garantir os níveis de serviços esperados e a aumentar a comodidade de toda a experiência do consumidor.

Este contexto adverso, resultante da emergência do novo coronavírus (SARS-CoV-2), tem tornado evidente que o sucesso de qualquer operação ecommerce é tão mais expressivo quanto mais sólidos forem todos os elos da sua cadeia de abastecimento.
Em suma, o consumidor pode estar mais familiarizado com lojas de ecommerce convenientes, sustentadas em sistemas tecnológicos avançados e impulsionadas pelo marketing digital mais audacioso, mas o seu sucesso, do ponto de vista da experiência de compra, como também da sua rentabilidade, é suportado, em grande medida, por elementos mais tradicionais, como a logística e entrega last mile, assim como, pelos fabricantes dos produtos.

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