Importância da gestão da supply chain na distribuição de vacinas

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Em plena pandemia, as vacinas ganharam uma importância acrescida. Todos os esforços se conjugam para criar uma forma de imunizar a população mundial contra a Covid-19, que já contagiou mais de 46 milhões de pessoas em todo o mundo. Mas tão importante como falar do desenvolvimento de novas vacinas é discutir a supply chain na distribuição de vacinas. Como fazê-las chegar às pessoas que mais delas precisam, com segurança, rapidez e ao menor custo?

Aumento das exigências na supply chain de vacinas

Toda a cadeia de abastecimento de vacinas tem regras próprias, num processo que se foi tornando mais complexo e desafiante ao longo dos anos. Desde a década de 1970 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) dispõe de um programa alargado de imunização para garantir a vacinação de todas as crianças. Logo na década de 1980, foram desenhados os sistemas Immunization Supply Chain and Logistics (ISCL), mas os tempos foram mudando.

Surgiram mais doenças e mais vacinas foram chegando ao mercado. Ao mesmo tempo, a urgência em disponibilizá-las, a necessidade de adaptação às novas estratégias de entrega ou mesmo as inovações tecnológicas na cadeia de frio colocaram novos reptos à supply chain na distribuição de vacinas.

A OMS sentiu, então, necessidade de chamar a atenção para a importância de não negligenciar a componente logística, essencial nos programas de imunização da população, lançando um novo documento em 2014. Objetivo: melhorar o desempenho e disponibilizar as vacinas certas, nas quantidades certas, nas condições certas, na altura certa, no lugar certo e ao custo de supply chain certo.

Assim, os desafios colocam-se nos dois grandes tipos de vacinação:

  • vacinação de continuação – imunização que faz parte das vacinações periódicas ou do plano nacional de vacinação;
  • vacinação de emergência – resposta a surtos e situações inesperadas como a que estamos a viver em plena pandemia.

No primeiro caso, há uma cadeia estruturada. Contudo, no segundo, é importante criar condições para garantir que a supply chain na distribuição de vacinas funciona com a eficiência necessária para as levar rapidamente e em segurança a quem mais precisa.

Estrutura de uma supply chain de distribuição de vacinas

Segundo a OMS, as áreas mais importantes na cadeia de abastecimento de vacinas incluem a gestão e monitorização das mesmas, a gestão da cadeia de frio e a segurança de imunização. Negligenciar estes pontos é abrir caminho a um sistema de logística de vacinação fraco com várias consequências negativas. Por exemplo, elevadas taxas de desperdício, falhas de stock e má gestão dos desperdícios. Isto leva a custos operacionais significativos e, claro, a um impacto negativo na saúde pública.

Desse modo, a OMS, juntamente com a UNICEF, desenvolveu o chamado Effective Vaccine Management (EVM). Este processo promove a melhoria da supply chain na distribuição de vacinas através da monitorização de um conjunto de etapas inerentes:

  • Chegada da vacina em condições satisfatórias, em conformidade desde o pré-embarque até ao destino.
  • Controlo de temperatura, sempre entre os intervalos recomendados pela OMS.
  • Capacidade de armazenamento de cada país, que deve conseguir garantir um programa nacional de imunização.
  • Infraestrutura, ou seja, se os edifícios, equipamentos e veículos estão preparados para um funcionamento eficaz da supply chain na distribuição de vacinas.
  • Manutenção da vacina através de sistemas que cumpram os padrões deste processo.
  • Gestão de stock eficaz em relação ao manuseamento, controlo, inventário e armazenamento, mas também ao descarte de vacinas danificadas e fora do prazo de validade.
  • Distribuição efetiva em todos os níveis da supply chain: recipientes, embalamento, temperatura e planos de contingência para o transporte.
  • Cumprimento das recomendações para a correta gestão da vacina.
  • Sistemas de informação (Logistics Management Information Systems – LMIS) competentes.

Os desafios da distribuição da vacina contra a Covid-19

A supply chain na distribuição de vacinas é por si só um desafio. Então, que cuidados acrescidos são necessários em relação à vacina contra a Covid-19 para garantir a distribuição de um número sem precedentes de milhares de milhões de doses em todo o mundo?

Estão em desenvolvimento mais de 250 vacinas. Assim que forem aprovadas e estiverem prontas para serem distribuídas, é indispensável garantir que todos estão preparados. E isto inclui indústria, entidades públicas e privadas na área da saúde e operadores logísticos.

Aliás, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) está bem ciente da dimensão do desafio. “Entregar as vacinas contra a Covid-19 de forma segura será a missão do século para a indústria de transporte aéreo de carga”, disse o diretor-geral e CEO da IATA, Alexandre de Juniac, citado pela UNICEF, alertando para a necessidade de todos se prepararem desde logo.

Associada ao transporte aéreo está a cadeia de frio. Esta pode variar consoante o tipo de vacina, como indica o artigo “On pins and needles: Will Covid-19 vaccines save the world?”, da McKinsey. “Vacinas diferentes têm necessidades logísticas diferentes, incluindo horários de dosagem, local de administração e requisitos de cadeia de frio. As vacinas baseadas em ADN, por exemplo, tradicionalmente mantêm-se estáveis ​​a temperaturas normais, enquanto as baseadas em ARN, subunidades de proteínas e vetores virais requerem cadeia de frio ou transporte criogénico.”

Estima-se que possa haver casos em que são exigidas temperaturas até -80°C para garantir a eficácia. Isto impõe-se como um grande desafio para a supply chain na distribuição de vacinas, que, por regra, as transporta entre -2 a -8°C.

Importante será também não descurar as questões da sustentabilidade. Neste caso, é relevante avaliar as embalagens e os tipos de transporte reutilizáveis, mas também organizar a logística inversa.

Seja qual for o cenário, a rapidez e a dimensão da expedição da vacina prometem fazer desta uma operação sem precedentes, refere o artigo da McKinsey. Assim, será importante que cada uma das partes envolvidas saiba exatamente qual é o seu papel nesta cadeia que vai desde a produção à administração da vacina.

Referências bibliográficas:
OMS, Immunization supply chain and logistics – A neglected but essential system for national immunization programmes. A CAll-TO-ACTION. Acedido em 3 de novembro de 2020, https://www.who.int/immunization/documents/WHO_IVB_14.05/en/
OMS, Vaccine management and logistics support. Acedido em 3 de novembro de 2020, https://www.who.int/immunization/programmes_systems/supply_chain/resources/tools/en/
OMS, Immunization supply chain and logistics. Acedido em 3 de novembro de 2020, https://www.who.int/immunization/programmes_systems/supply_chain/en/
UNICEF, The Time to Prepare for COVID-19 Vaccine Transport is Now. Acedido em 3 de novembro de 2020, https://www.unicef.org/press-releases/time-prepare-covid-19-vaccine-transport-now
MCKINSEY, On pins and needles: Will Covid-19 vaccines save the world? Acedido em 4 de novembro de 2020, https://www.mckinsey.com/industries/pharmaceuticals-and-medical-products/our-insights/on-pins-and-needles-will-covid-19-vaccines-save-the-world

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