Canal do Panamá: a importância para o comércio internacional

Canal do Panamá: a importância para o comércio internacional

Quando, em março deste ano, um navio cargueiro encalhou no Canal do Suez, no Egito, bloqueando uma das principais rotas do comércio marítimo, o mundo parou. E, subitamente, tornou-se evidente para a opinião pública a importância estratégica deste estreito de 193 quilómetros para o tráfego global de mercadorias. Mas este não é um caso único. Existem outros estreitos que têm igualmente um papel vital para o comércio marítimo mundial. Por exemplo, o Canal do Panamá, classificado como uma das maiores obras de engenharia do fim do século XIX e início do século XX, é ponto de passagem de cerca de 6% do comércio mundial.

Saiba como funciona o Canal do Panamá e qual a sua relevância para o comércio global.

Números e factos sobre o Canal do Panamá

Localizado no Panamá, o canal artificial tem uma extensão de 80 quilómetros e permite fazer a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico, num percurso que demora entre oito e 10 horas. Sem este estreito, os navios teriam de optar por outras rotas muito mais extensas e onerosas, obrigando-os a contornarem o Cabo Horn, no ponto mais meridional da América do Sul, conhecido pelas suas águas difíceis.

Na verdade, até 1914, data de inauguração do Canal do Panamá, os navios que circulavam entre a costa oeste dos Estados Unidos da América (EUA) e a costa leste ou a Europa tinham obrigatoriamente de contornar toda a América do Sul, numa viagem bastante mais demorada.

Hoje o Canal do Panamá assume um papel crucial no comércio marítimo internacional. É um ponto-chave para o comércio com a Ásia e a Europa, assim como um verdadeiro centro logístico do continente americano. A importância desta infraestrutura foi reforçada com as obras de ampliação do Canal, concluídas em 2016, e que possibilitaram receber mais e maiores navios. Contas feitas, todos os anos perto de 14 mil navios passam por este estreito, permitindo unir mais de 140 rotas marítimas.

Entre as principais mercadorias que passam pelo Canal do Panamá, o destaque vai para os produtos petrolíferos. De acordo com um artigo recente da BBC, citando dados da Autoridade do Canal do Panamá, estes são os bens que mais passam pelo estreito do Panamá:

  • Derivados de petróleo;
  • Grãos e sementes;
  • Petróleo;
  • Automóveis, camiões e acessórios do setor automóvel;
  • Produtos alimentares enlatados e refrigerados.

Já no que se refere aos países que mais utilizam esta infraestrutura para exportar e importar mercadorias, as nacionalidades que mais se destacam são os EUA, a China, o Japão, o México e o Chile.

Como funciona o Canal do Panamá?

A história deste canal é acidentada. A sua construção foi iniciada em 1880 pelos franceses – que já tinham no currículo a conclusão do Canal do Suez. No entanto, a complexidade da obra associada a uma série de problemas, como doenças tropicais e deslizamentos de terras, levou à morte de 22 mil trabalhadores e ao abandono da obra por parte dos especialistas franceses.

O projeto viria a ser retomado em 1903 pelos norte-americanos e em 1914, o Canal do Panamá foi finalmente inaugurado. Até 1999, a infraestrutura esteve sob o controlo dos EUA, tendo a administração passado posteriormente para as autoridades do Panamá.

O sistema de funcionamento do Canal do Panamá é complexo, de tal forma que, quando um navio entra no canal, a embarcação passa a ser comandada por um funcionário da Autoridade do Canal do Panamá, que está habilitado para controlar e manobrar o navio ao longo do percurso no estreito e assim evitar incidentes.

Aliás, um dos principais desafios que os engenheiros tiveram de resolver foi criar um sistema que conseguisse ultrapassar o desnível entre o Oceano Pacífico e o Oceano Atlântico e a parte terrestre que os separa. Isso foi então conseguido através da construção de um sistema de eclusas.

O Canal do Panamá possui três sistemas de eclusas: dois deles estão situados no lado do Oceano Pacífico (as eclusas de Miraflores e de Pedro Miguel) e um no lado do Oceano Atlântico (eclusa de Gatun). Dessa forma, com estes sistemas consegue-se elevar as embarcações com o recurso à água doce e baixá-las usando a gravidade. Permite, assim que as embarcações sejam transportadas entre os dois oceanos, compensando os desníveis existentes.

O impacto da ampliação do Canal do Panamá

Tal como já foi mencionado, o Canal do Panamá foi alvo de importantes obras de alargamento e expansão que demoraram nove anos e ficaram concluídas em 2016. Com esta ampliação, passou a ser possível a passagem de navios com mais do dobro da capacidade até então permitida.

Anteriormente, apenas poderiam passar no Canal do Panamá navios com capacidade para transportar 5.000 TEU. Com o alargamento da infraestrutura, também os navios de maior porte (com capacidade de carga entre 13.000 TEU e 14.000 TEU) começaram a utilizá-la para transportar mercadorias do Pacífico para o Atlântico.

Na altura da inauguração do Canal do Panamá, o Fundo Monetário Internacional estimava que as melhorias reduziriam os custos associados ao transporte marítimo global de mercadorias em cerca de 8 mil milhões de dólares por ano.

Esta expansão teve também um impacto importante na redução das emissões de CO₂, uma vez que a mesma carga passou a ser transportada por menos navios. Ao mesmo tempo, os investimentos feitos no alargamento do canal permitiram uma maior otimização da água utilizada para o funcionamento das eclusas.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Autoridade do Canal do Panamá. Perguntas frequentes. Acedido a 22 de julho de 2021.
https://www.pancanal.com/eng/general/canal-faqs/tolls.html
BBC. Além do Canal do Suez, conheça três passagens essenciais ao comércio marítimo. Acedido a 22 de julho de 2021.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-56601306
Fórum Económico Mundial. What the new Panama Canal tells us about globalization. Acedido a 22 de julho de 2021.
https://www.weforum.org/agenda/2016/07/what-the-new-panama-canal-tells-us-about-globalization/

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