Rangel investe mais 5,5 milhões para continuar a crescer

22 Jul 2017
Rangel investe mais 5,5 milhões para continuar a crescer - Notícias
Há 37 anos que o Grupo Rangel é sinónimo de transportes e logística, mas o CEO Nuno Rangel, a nova geração à frente da empresa, quer mais, muito mais. A estratégia de diversificação do negócio está bem delineada, e em plena execução, e os números na ponta da língua: até ao final de 2018 o grupo tem na calha um investimento de 5,5 milhões de euros, depois de já ter investido 10 milhões entre 2014 e 2017. "Terminámos o ano passado com 158 milhões de euros de faturação, temos 23 mil clientes, gerimos uma área logística de 263.000 metros quadrados e fizemos 2,6 milhões de transportes”, resume o CEO em entrevista ao Dinheiro Vivo. 

A aposta mais forte será nas novas área de e-commerce e transporte especializado de medicamentos, mas em vista está também a internacionalização "em dois ou três anos” para um novo mercado, depois do investimento em Cabo Verde, que se tornou no quinto país onde a Rangel opera, além de Portugal, Brasil, Angola e Moçambique.

Namíbia, África do Sul, Marrocos, Colômbia e Peru estão na linha da frente. "Estamos a estudar estes países pelo seu potencial logístico regional. Preferimos mercados emergentes com potencial para o futuro, porque gostamos de criar coisas do zero e fazê-las crescer”, disse Nuno Rangel. 

Apesar de não ser grande fã de balanços a meio do ano, o CEO (que substituiu o pai Eduardo Rangel, agora presidente e chairman do grupo) revela que até junho de 2017 "o crescimento já vai em 7,5%, muito acima das expectativas” iniciais de crescer a uma taxa de 4,5% para uma meta de 165 milhões de euros, depois de 2016 ter encerrado com 158 milhões de euros de faturação. 

"O nosso negócio é um bom barómetro da economia e as exportações estão a crescer muito este ano. E ainda falta o último trimestre, que é sempre a melhor altura para o negócio. Vamos ver como vai fechar o ano”, antecipa Nuno Rangel, explicando a estratégia da empresa: "A forma como temos crescido nos últimos anos tem a ver com a aposta específica nos setores dos nossos principais clientes ou com a especialização em nichos de mercado. Atividade central de transportes e logística está lá, e está sempre a crescer, mas queremos sempre mais”. 

E desta vontade nasceram o mais recentes "bebés” do grupo: Rangel Pharma, Rangel Wine, Rangel Fashion, e as novas unidades de e-commerce e envios críticos (com muita urgência ou especificidade fora do normal), sem esquecer a área de logística de obras de arte. "Queremos estar mais próximos das necessidades dos clientes e apostar em nichos de mercado. Alguns setores são tão importantes que merecem uma unidade à parte”, justifica, prometendo que "em 2018 vai ouvir-se falar da Rangel no e-commerce”, depois do investimento de 1,5 milhões. 

Depois do lançamento da unidade de e-commerce do Grupo Rangel na Web Summit, no final de 2016, esta é a uma área prioritária para Nuno Rangel, que destaca a oferta de "soluções para ajudar as empresa a entrar no mundo online, desde a plataforma tecnológica, à logística, ao transporte e serviço de clientes, marketing digital”. "Portugal tem muito para evoluir no e-commerce. 2018 será o ano forte do e-commerce”, garante. 

Outra área com grande potencial de crescimento é a logística farmacêutica, na qual a empresa já investiu desde 2009 2,5 milhões, com previsões de mais 1,3 milhões em transporte de frio para produtos farmacêuticos, e outros dois milhões no próximo ano na segunda fase de ampliação do armazém (100% automatizado), de 16.000 para 25.000 metros quadrados. "Não vamos parar por aqui”, promete Nuno Rangel, lembrando: "Começámos do zero e no fim de 2016 já movimentávamos 100 milhões de unidades de medicamentos”. 

O CEO reforça a vontade de diversificar o negócio do grupo, que a partir de cinco países opera para todo mundo: "Os transportes e a logística são o nosso dia a dia. Mas temos de dar um passo além disso. Queremos operar próximos dos diferentes setores e 2017 é o ano de amadurecimento destes projetos mais recentes”. Neste contexto insere-se a Rangel Wine, com um investimento de 2,7 milhões entre 2015 e 2016, muito na sequência do início de operações para o Brasil, em 2013. A oportunidade de negócio surgiu com as exportações de vinhos portugueses para o mercado brasileiro e que levou à criação de um entreposto aduaneiro no Montijo específico para este setor. 

Já a Rangel Fashion (logística têxtil e de sapatos) foi para Nuno Rangel "a aposta certa no momento certo”, tendo em conta o sucesso desta indústria a nível mundial. Com um grande volume de negócio nesta área, a Rangel já transporta carga para 200 países diferentes. Os três destinos mais recentes são as ilhas Fiji, o Irão e o Kosovo. 

Um dos objetivos da empresa para 2018 passa também por ampliar a área de cofre (que atualmente ocupa 1.000 metros quadrados em dois pisos) atualmente dedicada à logística de obras de arte, ou "logística de luvas brancas”, como diz Nuno Rangel. "Queremos ser uma referência internacional no transporte e logística de obras de arte”, diz o CEO depois de ter transportado obras valiosas como os coches para o novo museu em Lisboa ou os quadros do pintor espanhol Miró para a casa de Serralves, no Porto, entre outras. 

"A forma como temos crescido nos últimos anos tem a ver com a aposta em setores dos nossos principais clientes ou especializando-se em nichos de mercado”, explica. 

Ao nível das infraestruturas, que vão aumentando à medida que os diferentes negócios crescem, diz o CEO, a aposta da empresa também tem sido forte nos últimos anos, a começar pelo investimento de 3,5 milhões de euros na abertura em Cabo Verde, com duas novas instalações, às quais se vai somar uma terceira em 2017 na sequência de novos investimentos no país. A Rangel inaugurou ainda uma nova plataforma de 15.000 metros quadrados na Póvoa de Santa Iria, duas novas instalações nos aeroportos de Lisboa e Porto e outra em Coimbra, de 2.500 metros quadrados, como plataforma na região centro para produtos farmacêuticos, além da ampliação da sede, que conta com 1.200 metros quadrados de escritórios.