Impactos do COVID-19 no Reino Unido

Conheça os impactos do COVID-19 no Reino Unido e as medidas de apoio que estão a ser tomadas



SETORES COM MAIORES CONSTRANGIMENTOS NESTE MERCADO
  • Financeiro - o índice FTSE 100 fechou o 1º trimestre de 2020 com uma descida de 24,8%, a maior queda desde 1987. O Office for Budget Responsibility prevê um decréscimo no PIB de 13% em 2020 e de 35% no 2º trimestre do ano.

  • Turismo - Setor bastante afetado, em particular na região da Irlanda do Norte. O executivo local estima que cerca de 3.000 empresas do setor poderão não sobreviver, sem apoio estatal imediato devido à queda alarmante de atividade.

  • Restauração e Hotelaria – Os locais estão encerrados para consumo, no entanto o take away está autorizado. A EAT, cadeia de restaurantes "grab & go" pertencente ao grupo Pret-A-Manger, anunciou o encerramento permanente de 90 estabelecimentos. A cadeia McDonald´s depois de ter encerrado 1.270 restaurantes anunciou reabrir 15 restaurantes a 13 de maio; (esta cadeia de fast food emprega cerca de 135.000 pessoas no Reino Unido). A cadeia de restaurantes Nando´s depois de ter fechado, aproximadamente, 400 restaurantes (que empregam aproximadamente 20.000 pessoas no RU) reabriu 4 restaurantes em Londres e 2 em Manchester. A cadeia Costa Coffee que encerrou os seus cerca de 2000 estabelecimentos, anunciou a reabertura faseada tendo reaberto 79 cafés.

  • - Proprietários de estabelecimentos pressionam o governo para decretar suspensão de renda por 9 meses. 

  • Os serviços de hotelaria e catering apresentaram as maiores percentagens de empresas encerradas temporariamente ou com perspetivas de encerramento próximo, segundo a ONS.

  • Reservas online de restaurantes baixaram 100% quando comparado a março de 2019, segundo o The Guardian.

  • O Office for Budget Responsibility prevê que o setor da Hotelaria e Restauração terá uma redução de 85% da sua faturação durante o período de Lockdown.

  • Indústria Automóvel - a Nissan colocou em layoff 6.000 trabalhadores da sua unidade de produção em Sunderland e planeia reiniciar progressivamente a atividade da sua fábrica em Sunderland no início de Junho. Também a Rolls Royce anunciou a reabertura da sua fábrica e um plano para redução de 8.000 postos de trabalho. A Jaguar Land Rover, Ford e Vauxhall reabriram as suas fábricas no dia 18 de Maio com um conjunto de novas medidas de segurança de forma a manter o staff em condições de higiene seguras. Cerca de 2000 trabalhadores da JLR retornaram esta segunda-feira ao trabalho (aprox. 1/4 do staff total) e a produção será de cerca de 1.000 carros por semana (menos de um terço do habitual). O número de novas matriculas registadas teve uma queda 97,8% em abril, depois de já ter caído 44,4% em Março, face aos períodos homólogos do ano passado, segundo dados  da Society of Motor Manufacturers and Traders (SMMT). Com o decréscimo nas vendas, credores oferecem aumento do tempo de pagamento e renúncia de juros.

  • Indústria Metalúrgica.

  • Indústria da organização de eventos/feiras - sem apoio estatal, espera-se o colapso de 60% dos fornecedores na indústria de eventos, revela inquérito promovido pelas associações do setor (EIF, BVEP, PSA). A Autoridade Turística Britânica prevê perdas para a indústria dos eventos na ordem dos £ 58 biliões este ano devido à pandemia COVID-19. Os cancelamentos de eventos ao ar livre no Reino Unido incluem 76% dos eventos de música, 68,4% dos eventos de artes e 63% das feiras.

  • Imobiliário e Construção - atividade de construção desceu ao ritmo mais acelerado em 11 anos; mais de 80% das construções de casas foi suspensa; estima-se que as vendas de habitações decresçam ao nível mais baixo dos últimos 20 anos, segundo Diretor da plataforma Zoopla. Vasta maioria dos projetos de construção foi colocada em stand-by. Não obstante, foi autorizado o início do projeto HS2 rail (ferrovia de alta velocidade), que estimulará a atividade no setor. Verifica-se uma descida nos preços das casas provocada pela crise do coronavírus, mas os analistas não esperam um colapso como em 2008. Hansen Lu, economista imobiliário da Capital Economics, prevê uma queda "modesta" de 4% nos preços das casas para este ano.

  • Energia e Combustíveis - combustíveis fósseis e respetiva distribuição: a descida do preço do petróleo está a colocar o preço da gasolina a preços mínimos (quase 1£ por litro). Por outro lado, a diminuição do tráfego rodoviário aponta para uma redução de 75% no consumo de gasolina e de 71% no consumo de gasóleo segundo um estudo do Departamento Estratégico para o Comércio, Energia e Indústria. O benchmark britânico para o petróleo caiu cerca de 13 libras por barril, representando uma queda de 75% desde o início do ano. Segundo o Statista, indústria petrolífera britânica do Mar do Norte vai perder mais de 250 milhões de libras só no mês de maio.

  • Transportes - o confinamento recomendado imposto a todos os trabalhadores não essenciais, diminui a circulação de pessoas e bens, coloca toda a indústria dos transportes (terrestres, marítimos e aéreos) praticamente paralisada.

  • A UK’s Airport Operators Association estimou que os programas de lay off governamentais não seriam suficientes, e que os seus membros já haviam recorrido a esta solução para entre 50 a 80% do staff.

  • Retalho (lojas físicas) - o encerramento forçado de todas as lojas de bens e serviços não essenciais, paralisa a indústria do retalho não essencial e dos seus fornecedores. O Centre for Retail Research estima que mais de 20.000 lojas não voltaram a abrir após a quarentena. Segundo dados recolhidos pela CBI, o tráfego de consumidores (footfall) nas lojas físicas dos retalhistas britânicos caiu 90% desde o início do mês de março; 71% dos retalhistas britânicos apresentaram uma quebra no seu volume de vendas em abril, enquanto apenas 16% registaram um crescimento contra cíclico.

  • Indústria de horticultura - o fecho de lojas não essenciais impede que flores e arbustos cheguem ao consumidor final. A Associação de Produtores de Horticultura prevê a falência de um terço dos produtores.

  • Agroalimentar - milhões de toneladas de fruta e vegetais em risco de desperdício por falta de trabalhadores nos campos.

  • Output – os níveis de produção no Reino Unido caíram abruptamente durante o mês de março. Este impacto alastrou-se rapidamente ao mercado de trabalho e ao retalho através de cadeias de distribuição. De acordo com a IHS Markit, os atrasos no transporte e a escassez de bens de produção levaram a um aumento acentuado nos prazos de entrega dos vendedores.

  • O mais recente decréscimo no número de novas encomendas reflete uma redução a nível de procura nos mercados internacionais e intra-Reino Unido. O número de novos exportadores sediados no Reino Unido decresceu para níveis registados em 2012.

  • Educação – o Office for Budget Responsibility previu que a educação será o setor mais afetado pela crise inerente à pandemia. Universidades britânicas já requisitaram fundos de investigação e resgate, estimam perdas no valor de 760 £ milhões de libras.

  • Bens de luxo.

QUAIS OS PRINCIPAIS PROBLEMAS QUE SE IDENTIFICAM A NÍVEL LOGÍSTICO?
  • Os correios mantêm-se em funcionamento. No entanto, fruto das recentes medidas de fecho de fronteiras de alguns países, os correios do Reino Unido informaram que as encomendas internacionais poderão ter de esperar pela abertura de fronteiras para chegarem ao seu destino.

  • Os transportes terrestres de passageiros mantêm-se em funcionamento com redução significativa de horários, em virtude da redução de utilizadores. A empresa Eurostar, que opera a linha de comboio que liga o Reino Unido a França, está a assegurar apenas serviços mínimos.

  • Indústria de transporte rodoviário de bens: transporta maioritariamente bens essenciais e viu a sua carga diminuída em um terço; A indústria uniu-se para assegurar o transporte de alimentos essenciais aos supermercados.

  • Indústria de transportes marítimos: reduziu o número de viagens derivado pela redução de circulação de pessoas, o que poderá implicar falhas na distribuição de bens alimentares e medicamentos. A P&O Ferries alega necessitar de £257 milhões de libras para continuar a operar.

  • A Easyjet tem toda a sua frota em terra e a Ryanair também. A Ryanair pretende reiniciar cerca de 40% dos seus voos em Julho, operando quase 1.000 vôos por dia.

  • A British Airways anunciou a suspensão de todos os voos de e para o aeroporto de Gatwick, em Londres; este aeroporto só permitirá aterragens e descolagens entre as 14h e as 22h. Depois de anunciar a suspensão de 30.000 trabalhadores, revela agora planos para reduzir 30% da sua força de trabalho.

  • A companhia áerea Virgin Atlantic está a solicitar junto do Governo um plano de resgate financeiro no valor de 500 milhões de libras, e prepara-se para cortar um terço dos seus trabalhadores e encerrar as suas operações no aeroporto de Gatwick.

  • A Airbus irá colocar 3200 trabalhadores em lay off, recorrendo ao plano de retenção de postos de trabalho colocado em vigor pelo Governo britânico. A empresa anunciou que iria reduzir a produção de novas aeronaves em um terço.

  • A cidade de Crowley, na região de West Sussex, foi identificada como a cidade no Reino Unido em maior risco de dano económico, dada a importância do aeroporto de Gatwick no seu tecido económico. Mais de 53 mil empregos no setor da aviação encontram-se particularmente vulneráveis em Crawley.

  • Comércio local: a maioria do comércio em Londres foi forçado a encerrar exceto aquele considerado essencial/indispensável.

  • As principais cadeias de supermercados (Aldi, Morrisons e Waitrose) restringiram as compras a quantidades fixas de itens individuais para manter os stocks.

  • Fornecimento de alimentos e medicação dificultado devido a mais de metade dos camiões serem retirados das vias.

  • Números oficiais apontam para uma diminuição de mais de 60% em todo o tipo de transportes desde fevereiro. Transporte ferroviário e metropolitano diminuiu 97%.

QUAIS OS PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS NÃO LOGÍSTICOS QUE EXISTEM?
  • O governo britânico afirmou que não pretende alargar o prazo relativo às negociações do Brexit previsto para o final deste ano, e com possibilidade de extensão (decisão até 1 de julho), mesmo tendo em conta os efeitos da pandemia.

  • O National Institute Of Economic and Social Research (NIESR) prevê uma taxa de desemprego de 8,5% para 2020 (subida de cerca de 1,5 milhões para 3 milhões de pessoas).

  • União de arrendatários apela ao governo pela suspensão de rendas. Arrendatários pagam menos de metade das rendas.

  • A New Look anunciou que os pagamentos aos fornecedores dos produtos em stock estão adiados por tempo indefinido.

  • Segundo data da Kantar: os gastos em mercearia online cresceram 13% quando comparados com o mesmo período do ano passado. O cabaz básico online está com o custo médio de 81,88 libras, 6 libras mais caro do que em março de 2019. Na semana que terminou a 21 de março a venda de alimentos congelados subiu 84% em relação ao mesmo período do ano passado. E na última semana de março registou-se um aumento de 10,7 % nos preços de medicamentos para a gripe e constipação. Os preços de produtos de elevada procura (como bens alimentares de longa duração, bens para casa, saúde e higiene) aumentaram 1,5% na semana de 30 de março a 5 de abril.

  • O encerramento das escolas e faculdades teve influência no aumento dos gastos das famílias com filhos acima dos 16 anos: 508 libras foi o gasto médio por família em compras em março, mais 88,13 libras que em março de 2019.

  • Encerramento de empresas afeta severamente jovens abaixo dos 25 anos, segundo estudo do Institute of Fiscal Studies.

  • Cancelamento de eventos públicos com afluência (ex. eventos desportivos).

  • Perigo de quebra de produção

  • Implementação de teletrabalho.

  • Problemas de liquidez e tesouraria.

  • De acordo com o Business Impact of Coronavirus Survey (BICS) conduzido pelo Office for National Statistics, 66% das empresas que prosseguiram a sua atividade comercial indicou que a sua performance a nível de vendas era "inferior ao normal”. 94% das empresas indicou que planeiam recorrer a pelo menos um dos planos de resgate/apoio providenciados pelo Governo britânico. 40% das empresas que decidiram prosseguir a sua atividade comercial preveem reduzir o seu staff no curto prazo.

  • O Índice de Preços ao Consumidor decresceu de 1,7% em fevereiro para 1,5% em março.

QUAIS AS PRINCIPAIS MEDIDAS QUE O GOVERNO ESTÁ A IMPLEMENTAR PARA REDUZIR OU MITIGAR AS CONSEQUÊNCIAS DO CORONAVÍRUS?
  • O Banco de Inglaterra (BdI) definiu a taxa de juro em 0,1% (depois de já ter baixado de 0,75% para 0,25%). O BdI baixou os requisitos de capital à banca que vai conceder empréstimos às empresas num total de 190 mil milhões de libras. Compra de títulos do tesouro do Estado no valor de 298 mil milhões de libras, financiados por meio de impressão de mais dinheiro. O BdI cancelou os "stress tests” anuais previstos para os oito maiores bancos ingleses, de forma a que estes se foquem no apoio (concessão de crédito) às famílias e às empresas;

  • Criação de um fundo de emergência de 5 mil milhões de libras de apoio ao sistema nacional de Saúde e outros serviços públicos afetados pela maior afluência de pessoas.

  • Linha de 500 milhões de libras distribuída pelas autoridades locais para apoiar as populações mais vulneráveis.

  • Disponibilizados 40 milhões de libras para incentivar a pesquisa científica sobre o vírus e descoberta da respetiva vacina.

  • Anunciado um pacote de estímulos económicos de 30 mil milhões de libras: 18 mil milhões em medidas de alívio à carga fiscal para apoiar a economia e 7 mil milhões de apoio às classes mais vulneráveis e aos trabalhadores independentes.

  • Disponibilizados 330 mil milhões de libras para empréstimos garantidos (pelo Estado) às empresas ou via linhas de crédito em condições "atrativas" – montante que representa 15% do Produto Interno Bruto (PIB) britânico.

  • O banco estatal BBB compromete-se a pagar os juros, durante 12 meses, de empréstimos até 5 milhões de libras às PME afetadas e que não faturem mais de 41 milhões de libras/ano, que são concedidos por 40 instituições financeiras acreditadas; o BBB garante também a cobertura até 80% de quaisquer prejuízos.

  • O banco estatal BBB compromete-se a pagar os juros, durante 12 meses, de empréstimos até 25 milhões de libras às grandes empresas afetadas que faturem entre 41 e 500 milhões de libras/ano, que são concedidos por 40 instituições financeiras acreditadas; o BBB garante também a cobertura até 80% de quaisquer prejuízos; e empréstimos, em condições semelhantes, de 50 a 200 milhões de libras para empresas que faturem mais de 500 milhões de libras/ano.

  • Garantia do Estado a 100% para empréstimos entre £2.000 e £50.000, com um período de isenção de pagamento de taxas de juro durante doze meses, por parte das empresas.

  • Cobertura das despesas com baixa médica (até 14 dias) a empresas com menos de 250 trabalhadores.

  • O Governo anunciou um mecanismo de proteção de trabalhadores com os seus empregos em risco pelo coronavírus — Coronavirus Job Retention Scheme. Este mecanismo permite a cobertura de 80% do salário até 2.500 libras, até outubro. De agosto a outubro este mecanismo é extensível aos trabalhadores que retornem ao trabalho em regime de part-time. O Chanceler Britânico avançou que a partir de Agosto o custo do pagamento destes subsídios será repartido entre o Estado e o Empregador, com a garantia de que os trabalhadores continuam a receber os mesmos 80% do seu salário. Este esquema suporta atualmente os vencimentos de 7.5 milhões de trabalhadores.

  • O Financial Times avança, a 12 de maio, que o Coronavirus Job Retention Scheme está a garantir os salários a 7 milhões de trabalhadores, ou seja um quinto da força de trabalho Britânica, o que representa um custo de 14 mil milhões por mês (total já ultrapassa os £49 MM).

  • Pagamento de impostos sobre os rendimentos dos trabalhadores por conta própria previsto para julho foi adiado para janeiro de 2021. Pagamento de IVA pelas empresas previsto para março foi adiado para junho e foi criada a possibilidade de pagar quaisquer dívidas pendentes até ao final do presente ano fiscal.

  • O governo apresentou um extenso pacote de legislação de crise entre as quais se destacam poderes reforçados para que as polícias e os serviços de saúde detenham pessoas que incumpram quarentenas ou que, sendo suspeitas de estarem infetadas, devam ser sujeitas a testes obrigatórios. Além dos poderes policiais, são incluídas normas para a facilitação da emissão de certificados de óbito, de procedimentos para a cremação compulsiva de corpos, de imposição do encerramento de todo o tipo de estabelecimentos e atividades, obrigações de informação sobre produtores alimentares, assunção pelo Estado de parte dos custos com baixas médicas, entre outros. Estão a ser enviadas cartas a mais de 65 mil médicos e enfermeiros reformados do SNS, pedindo que se disponibilizem para regressar ao serviço, reforçando os quadros existentes.

  • Isenção da obrigação de pagamento do imposto sobre a propriedade para as empresas dos setores do entretenimento, lazer, turismo, hotelaria, restauração e para o retalho, bombas de gasolina, aluguer de veículos e stands automóveis.

  • Atribuição de um subsídio até 25.000 libras às empresas que se enquadrem nos setores do entretenimento, lazer, turismo, hotelaria e restauração que não tenham a propriedade onde exercem a sua atividade comercial avaliada em mais de 51.000 libras e que não estejam cobertas por seguros contra pandemias.

  • Atribuição de um subsídio de 10.000 libras dirigido a 700.000 pequenas empresas.

  • Relativamente ao regime dos seguros de crédito à exportação o UK Export Finance garante a cobertura até 95% dos custos incorridos na situação de o contrato de exportação falhar por falta de cumprimento do comprador antes dos bens serem entregues, ou se o comprador falhar por motivos políticos, económicos ou administrativos que estejam especificados.

  • Flexibilização da lei da insolvência de maneira a permitir as empresas pagar a staff e fornecedores, mesmo que se encontrem a restruturar a sua dívida vencida.

  • Fundo de £ 50 milhões para apoiar na preservação do património nacional em risco: subsídios entre £ 3.000 e £ 50.000 a cada organização responsável por: locais históricos, património industrial e marítimo, museus, bibliotecas e arquivos, parques e jardins, paisagens e natureza.

  • Nova linha de crédito no valor de £1.250 milhões destinada ao apoio das atividades de empresas de valor acrescentado e pequenas e médias empresas que desenvolvam ações no âmbito da inovação.

  • Creches ficam isentas da obrigação de pagamento do imposto sobre a propriedade no presente ano fiscal.

  • Linha de apoio dedicada a ajudar as empresas e os trabalhadores independentes em dificuldades financeiras e com dívidas fiscais pendentes, de forma a poderem acordar uma isenção ou uma extensão do prazo de pagamento.

  • Isenção de pagamento de obrigações hipotecárias durante 3 meses para aqueles afetados pelo surto.

  • Mil milhões de libras adicionais para apoiar os arrendatários mais desfavorecidos no pagamento das rendas de casa.

  • Beneficiários de subsídios e/ou contribuições poderão solicitar o respetivo recebimento no dia 1 em vez do habitual dia 8 de cada mês, não tendo que se deslocar fisicamente aos centros de emprego.

  • Aumento do subsídio universal para 1.000 libras, durante 12 meses.

  • A Autoridade de Concorrência e Mercados britânica (CMA) irá assegurar a não utilização de práticas desleais de pricing ou publicidade enganosa nos produtos de proteção e de higiene.

  • Operadores ferroviários e de autocarros receberam pacotes de resgate.

  • No setor privado (banca/finanças): o Lloyds Bank criou uma linha de 2 mil milhões de libras para empréstimos sem taxas de juro para pequenas empresas afetadas. Atribuição de um período extraordinário de carência financeira para as empresas mais afetadas. O Barclays Bank anunciou a criação de um período de carência financeira extraordinário de 12 meses para clientes com empréstimos superiores a 25 mil libras.

  • Está a ser negociado um fundo de apoio às instituições de solidariedade e caridade, que se encontram com avultadas perdas (lojas fechadas e ausência de eventos de angariação de fundos).

  • As associações de agricultores, por evidente falta de mão-de-obra, deverão assim lançar em breve uma campanha de recrutamento, especialmente orientada para os trabalhadores do setor da restauração e hotelaria.

  • Está a ser discutido um pacote de apoio a companhias aéreas e operados aeroportuários, que se encontram à beira do colapso financeiro.

  • Cerca de metade de todas os estabelecimentos empresariais não irão pagar taxas imobiliárias em 2020.

  • Foi oferecido a mais de dois milhões de empresas a possibilidade do deferimento de VAT, poupando em média 30 mil libras por entidade.

  • Até dois milhões de empregadores irão ter acesso ao reembolso do Statutatory Sick Pay que garantirem aos seus trabalhadores.

  • Já foram concedidos empréstimos a 20 mil PME britânicas ao abrigo do Coronavirus Business Interruption Loans Programme.

PRINCIPAIS MEDIDAS PRECONIZADAS PARA REINÍCIO DA ATIVIDADE ECONÓMICA
  • O Levantamento do Lockdown imposto pelo Governo a 23 de março depende do sucesso de 5 variáveis:

  • 1. Assegurar que o Serviço Nacional de Saúde (NHS) consegue dar resposta ao que é solicitado.

    2. Uma descida consistente e sustentada do número de mortos diários.

    3. A diminuição da taxa de infeção para níveis possíveis de gerir.

    4. Garantir a existência de testes e equipamentos de proteção individual para necessidades futuras.

    5. Garantir que as medidas de desconfinamento não aumentam o risco de um segundo pico de infeção.

  • A 11 de maio o Governo anunciou o plano estratégico para a recuperação económica e levantamento do Lockdown composto por 3 fases e 14 medidas de apoio.

  • A Fase 1 — Lockdown iniciado a 23 de março e terminado a 12 de maio implicava: i) encerramento de hotéis, bares, restaurantes (podem vender para fora), lojas que vendem bens não essenciais, bibliotecas e locais de culto; ii) pessoas só podem sair de casa para atendimento médico, exercício físico, compra de bens essenciais, assistência a outro ou para ir trabalhar (caso não o possa evitar); iii) ajuntamentos sociais, exceto funerais, estão proibidos. A polícia tem ordens para dispersar ajuntamentos superiores a duas pessoas. E quem não cumprir estas restrições à mobilidade estará sujeito a uma multa de 30 libras.

  • A Fase 2 — smarter controls iniciada a 13 de maio informa que as pessoas deverão manter regras de higiene apropriadas e limitar os contactos sociais. O Governo pretende que, com o tempo, esses contactos sociais se traduzam em menor risco de infeção.

  • - Tornando-os mais seguros, ao "redesenhar” espaços públicos e laborais e a forma como as pessoas interagem;

    - Reduzindo o contacto das pessoas infetadas com o resto da comunidade, com mecanismos de rastreio e monitorização;

    - Bloqueando o desenvolvimento de "hotspots” pela deteção de casos ao nível local e adoção de medidas mais direcionadas.

  • Para cumprir esses objetivos, foram produzidos guias de apoio aos setores da Construção; Industria; Laboratórios e centros de investigação; Escritórios e Centros de Serviços; Restauração; Doméstico; Comércio; Transportes.

  • O regresso ao trabalho deve ter por base 5 princípios orientadores:

  • 1 - O teletrabalho deve ser mantido, sempre que possível.

    2 - O risco de contágio pela COVID-19 deve ser analisado, ouvindo-se os trabalhadores, uniões de trabalhadores/sindicatos.

    3 - Deve ser garantida a distância de segurança de 2 metros, sempre que possível.

    4 - Quando a distância de segurança de 2 metros não puder ser garantida, deve ser dirimido o possível risco de transmissão.

    5 - Reforço dos processos de higienização.

  • É durante a Fase 2 que se iniciam o levantamento das restrições sob a forma de 3 passos:

  • I. Passo 1 – a partir de 13 de maio

    - Trabalho —Manutenção do teletrabalho, sempre que possível. Apenas os que não podem desempenhar funções desta forma deverão regressar ao habitual local de trabalho, assumindo que não se trata de setores de atividade encerrados.

    - Escolas — Manutenção do ensino presencial para crianças vulneráveis e com necessidades educativas especiais, bem como para os filhos dos trabalhadores essenciais. Outras formas de acompanhamento profissional de menores, como as amas, deverão ser retomadas permitindo o regresso ao trabalho dos pais.

    - Viagens — Deverá ser privilegiado o transporte individual, o uso de bicicletas ou as deslocações a pé. Serão introduzidas novas regras para os transportes públicos.

    - Coberturas faciais — O público é aconselhado a usar coberturas faciais, por exemplo de fabrico caseiro, em locais fechados onde não é possível manter o distanciamento social. São expressamente desaconselhadas as máscaras cirúrgicas e os respiradores, que deverão ser reservados para o pessoal médico e outros que deles precisem.

    - Espaços públicos — A população poderá sair de casa, sem limites de tempo, frequência ou extensão da deslocação, pois o risco de transmissão ao ar livre é considerado muito baixo.

    Só poderá haver encontros em público com, no máximo, uma pessoa de fora do agregado familiar, e respeitando sempre 2m de distância. São proibidos os desportos coletivos, exceto com membros do agregado familiar. As deslocações são irrestritas, mas não deverão ultrapassar as fronteiras da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, onde se aplicam regras distintas.

    - Proteção dos mais vulneráveis — Os clinicamente mais vulneráveis (mais de 70 anos, com condições médicas de risco, ou grávidas) devem minimizar os contactos sociais.

    Os extremamente vulneráveis (transplantados ou pacientes a realizar quimo e radioterapia, por exemplo), devem evitar sair de casa e qualquer contacto com terceiros.

    - Aplicação — O Governo está a avaliar formas mais exigentes de controlo policial das medidas em vigor e aumentará as coimas para os infratores.

    - Parlamento — A atividade parlamentar deverá regressar ao normal, dando o exemplo para o resto da população e permitindo aprovar toda a legislação necessária.

    - Viagens internacionais — Serão introduzidas em breve "medidas e restrições nas fronteiras” (sem distinção, incluindo as marítimas e terrestres).

    Os viajantes terão de fornecer identificação e informação sobre o local de alojamento onde deverão cumprir uma quarentena de 14 dias. Caso não façam prova de alojamento, a quarentena será em local a providenciar pelo Governo.

    Estarão previstas "pequenas isenções” para garantir a continuidade do abastecimento de mercadorias, segurança nacional e apoio a infraestruturas críticas, bem como o cumprimento das "obrigações internacionais” do RU, incluindo-se aí expressamente apenas a Common Travel Area com a Irlanda.

    II. Passo 2 – não antes de 1 de junho

    - Educação — Reabertura faseada do primeiro e último anos do ensino primário.

    Preparação de ensino presencial, em complemento ao ensino à distância, para os alunos do 10º e 12º ano, que realizarão exames no próximo ano.

    - Retalho não essencial — Reabertura apenas quando possível garantir regras de distanciamento social, e cumprindo orientações a emanar em devido tempo. Os setores da "hospitalidade”, cuidados pessoais, entre outros, deverão permanecer encerrados.

    - Eventos culturais e desportivos — Permitidos apenas à porta-fechada.

    - Contactos sociais — Serão avaliadas opções para alargar a definição de agregado familiar ou "bolha social”, de forma a permitir aumentar os contactos sociais.

    III. Passo 3 – não antes de 4 de julho

    - Atividade económica e de lazer — Reabertura de alguns setores, incluindo cuidados pessoais (cabeleiros e esteticistas), "hospitalidade” (alguma restauração e hotelaria), locais públicos (incluindo de culto) e de entretenimento (como cinemas). Em todos os casos, será exigido o cumprimento de normas específicas de distanciamento físico.

  • A Fase 3 – "Reliable Treatment" assume que a erradicação do vírus é improvável, a nível nacional e global, a introdução de vacinas e tratamentos deverá permitir manter os seus efeitos a níveis "geríveis”.

  • A Escócia anunciou um plano de levantamento de Lockdown repartido em 3 fases revisto a cada 3 semanas. A 8 de maio as medidas de contenção mantêm-se. O levantamento das medidas de desconfinamento depende da manutenção da taxa de infeção abaixo de 1.

  • Assim que seja diminuída a taxa de contágio, as linhas orientadoras do plano indicam que a começará por autorizar pequenas lojas a abrir (com as mesmas políticas sociais de distanciamento dos supermercados); permitirá a retoma de atividades de profissões liberais de comércio e serviços com a utilização obrigatória de material de proteção, a reabertura de todos os parques e espaços verdes e a reabertura de restaurantes desde que cumpram as regras de distanciamento entre mesas.

  • Implementará a obrigatoriedade de utilização de material de proteção nos transportes; permitirá o regresso à atividade de empresas que tenham até 50 trabalhadores e por fim, e só no caso de diminuição do número de infetados, serão autorizados a reabrir as grandes superfícies, eventos, espetáculos, etc.

  • As autoridades referem que existirá um período de transição, onde as medidas serão levantadas gradualmente e o regresso à atividade será faseado no tempo e sectorialmente.

  • A Irlanda do Norte estendeu, a 7 de maio, as medidas de Lockdown por mais três semanas.

  • O País de Gales anunciou a 8 de maio alguns ajustes às medidas de Lockdown:

  • - É permitido fazer exercício físico mais do que uma vez por dia, mas deve ser feito na área de residência;

    - Permitir que as autoridades locais comecem a planear a reabertura de bibliotecas e centros de reciclagem.

    - Permitir que os centros de jardinagem possam reabrir se cumprirem com as regras de distanciamento social.

  • O Governo regional do País de Gales publicou uma nova lei que obriga os empregadores a garantirem a distância de segurança mínima de 2 metros entre os trabalhadores. As violações desta obrigação dão origem ao pagamento de multa no valor de 60£ a 120£.

  • O Estado de Guernsey, está desde 25 de abril na Fase 2 do processo de "saída do lockdown". As pessoas devem manter-se em casa e as escolas mantêm-se fechadas. As empresas com atividades de baixo risco de contágio podem reabrir. As empresas não essenciais e com contacto direto com clientes estão proibidas de operar. É possível fazer exercício físico fora ou atividades recreativas fora de casa durante 4 horas.

  • A Ilha de Jersey anunciou a 2 de maio os seguintes ajustes às suas medidas de lockdown:

  • - É permitido estar na rua até 4 horas diárias, para fazer compras essenciais, prestar auxílio a pessoas que precisem e qualquer foram de atividade ao ar livre.

    - É permitido estar ao ar livre com pessoas com quem vivemos e até um máximo de 2 pessoas fora do agregado familiar.


Nota: Tendo em conta o rápido desenvolvimento da pandemia COVID-19 e dos seus impactos na economia dos diversos países, a informação constante nesta página poderá não corresponder à totalidade da informação do mercado disponível e poderá ficar temporariamente desatualizada.

Última atualização: 22 de Maio de 2020.


FONTE:
AICEP PORTUGAL GLOBAL. Covid-19: Impacto nos Mercados. Disponível em: https://www.portugalexporta.pt/mercados-internacionais/impacto-covid-19
Acesso em: 22 de Maio de 2020