Impactos do COVID-19 nos Estados Unidos da América

Conheça os impactos do COVID-19 nos Estados Unidos da América e as medidas de apoio que estão a ser tomadas



SETORES COM MAIORES CONSTRANGIMENTOS NESTE MERCADO
    A COVID-19 continua a ter um impacto negativo, generalizado e multissetorial na economia americana, através de três canais:

    Produção – A produção nos EUA está a ser substancialmente afetada pelas políticas estaduais de manterem os trabalhadores em casa;

    Cadeia de abastecimento e disrupção do mercado – Muitas empresas americanas dependem de componentes intermédios importados da China e de outros países afetados pelo Covid-19. O abrandamento da atividade económica e as restrições de transporte nos países afetados estão a ter impacto na produção, nomeadamente na indústria transformadora e nas matérias-primas utilizadas na indústria transformadora. Todas as empresas ligadas às viagens e ao turismo enfrentam perdas que provavelmente não serão recuperáveis;

    Impacto financeiro nas empresas e nos mercados financeiros – As perturbações temporárias nas cadeias de abastecimento e/ou na produção já estão a afetar as empresas com falta de liquidez (principalmente as pequenas empresas), levando a que muitas delas estejam a fechar, despedir trabalhadores e declarar falência. Dada a incerteza do impacto futuro desta pandemia na economia, tem-se assistido a uma queda significativa nos mercados de capitais e nos mercados de obrigações corporativas, com os investidores a preferirem deter títulos públicos (títulos do tesouro dos EUA);

    Apesar do impacto se ter feito sentir inicialmente no setor dos serviços, nomeadamente na hotelaria, companhias áreas e cruzeiros, progressivamente está a tornar-se generalizado com constrangimentos quase diretos em múltiplos setores, nomeadamente:

  • Companhias Aéreas;
  • Cruzeiros;
  • Hotelaria;
  • Restauração;
  • Jogo;
  • Entretenimento (Salas de Cinema e Espetáculo);
  • Desporto ao Vivo;
  • Naval;
  • Produção de Filmes;
  • Fabrico de Automóveis;
  • Moda;
  • Vestuário e Calçado;
  • Petróleo e Gás;
  • Retalho;
  • Tecnologia;
  • Ginásios;
  • Parques Temáticos;
  • Transportes;
  • Construção;
  • Convenções.

  • As importações globais dos EUA nos primeiros 3 meses (year-to-date $375 Billion) diminuíram 4,3% em relação ao período homólogo. Entre os principais mercados fornecedores, as importações provenientes da China ($56.8 Billion) baixaram 25%, do México ($57.5 Billion) aumentaram 4%,  do Canadá ($46.9 Billion) aumentaram 6.5%, do Japão ($21.2 Billion) baixaram 7%, e da Alemanha ($ 18.8 Billion) baixaram 5%.  O impacto (aumento) das importações da China irá verificar-se de imediato nos ingredientes farmacêuticos e equipamentos médicos, e equipamento de proteção pessoal, nomeadamente máscaras.

    Em relação a Portugal, de acordo com o USITC (US International Trade Commission) as exportações portuguesas para os EUA até à data, atingiram os 692.8 milhões de dólares, correspondendo a um aumento de 16.5% em relação ao período homólogo de 2019. No entanto, dentro das principais posições pautais, só os óleos minerais e máquinas e instrumentos elétricos registaram um crescimento positivo de 67,75% e 19% respetivamente. As posições imediatas mostram descidas significativas: produtos farmacêuticos (-21.9%), cortiça (-12%), vestuário (-9.8%), artigos de borracha (-20%), reatores nucleares (-13%), calçado (-8.9%), instrumentos ópticos (+42%) e têxteis-lar (-17.8%), sendo que os impactos nas empresas portuguesas se fará sentir de imediato.

    As justificações são as seguintes:

    EMPREGO:
  • De acordo com os dados oficiais publicados pelo US Bureau of Labor Statistics no dia 8 de Maio, a taxa de desemprego nos EUA em Abril atingiu os 14.7% (o nível mais alto desde a "Grande Depressão” de 1930), representando uma perda de 20.5 milhões de postos de trabalho (cerca de 25 vezes o pior declínio mensal observado durante a última recessão, de 2007 a 2009). É de referir que em fevereiro a taxa de desemprego foi 3.5%.( o Congressional Budget Office prevê que a mesma se mantenha  nos 11.7% até ao fim do ano).

  • No dia 14 de Maio, o Departamento de Trabalho publicou o número de aplicações para o desemprego registado na semana anterior, que atingiu mais 2.98 milhões de americanos a aplicarem para o desemprego, totalizando já mais de 36 milhões de candidaturas para o desemprego nas últimas 8 semanas, equivalente a cerca de 23% da força de trabalho (1 em cada 4 trabalhadores americanos).

  • No meio desta pandemia, há alguns subsetores que têm registado um elevado crescimento, nomeadamente as vídeo-comunicações (Zoom, Microsoft Teams, Cisco Webex, etc), a indústria dos videojogos, com as vendas a dispararem no mês de março, os produtos e aparelhos médicos, as cadeias de supermercado e os produtos de desinfeção;

  • COMÉRCIO:
  • De acordo com o US Census Bureau (Advanced Retail Trade Survey, May 15, 2020) as vendas ao retalho em Abril registaram uma quebra  de 16.4%. Em março as vendas tinham baixado 8.4%. Lojas de vestuário continuam a ser o setor mais afetado com 78,8% de quebra, eletrónicos com 60.6%, mobiliário 58.7%, artigos desportivos com 38%, restauração com 29.5%, department stores com 28.9%, bombas de gasolina com 28.8% e produtos alimentares com 13,2%. Entretanto o consumo online registou um aumento de 8%.

  • As PopUp Stores irão tornar-se mais populares no período pós-covid, evitando longos contratos de aluguer as marcas poderão sobreviver com menos encargos

  • O preço de mantimentos básicos como o leite, ovos, carne, cereais, frutas e outros dispararam em abril (+2.6%) superando o maior aumento, numa base mensal, que se tinha registado em fevereiro de 1974. O preço das carnes, aves, peixes e ovos subiu 4,3%, frutas e legumes subiram 1,5%, e cereais e produtos de padaria aumentaram 2,9%. Estes números nos supermercados contrastam com a tendência geral dos preços nos EUA, que caíram 0,8% em abril registando assim o maior declínio mensal desde 2008, a queda do preço do petróleo e gasolina foram os principais responsáveis pela contração do CPI.

  • A implantação do e-commerce no setor alimentar ganha cada vez mais importância. Embora algumas empresas se tenham vindo a preparar nos últimos anos para a fase digital, a relativa relutância por parte do consumidor em adotar compras online, foi alterada pela pandemia Covid-19. Com a rápida procura, cada vez é maior o número de empresas a estabelecerem novas plataformas de vendas diretas ao consumidor, ao mesmo tempo que grandes empresas como a Amazom, Walmart, Target, Kroger, Costco, Publix, etc. defrontam-se com enormes dificuldades em satisfazer as encomendas online. A falta de  resposta às encomendas online está a causar um aumento do emprego com as grandes empresas a empregarem cada vez mais (Walmart +150,000, Amazon +100,000, Albertsons +30,000, Instacart +300,000, etc.) e algumas a oferecerem bónus e aumentos salariais (Walmart, Target, Albertsons, Whole Foods, H-E-B, The Giant Company, etc aumentaram $2/hora).

  • INDÚSTRIA:
  • De acordo com a Moody’s, os setores mais afetados por esta crise serão: moda, automóvel, jogo, turismo, bens de equipamento e outros setores não relacionados com alimentação;

  • No mês de março a produção industrial caiu 5,4%, o maior declínio desde 1946, e a "manufatura” caiu 6,3%, um recorde que reflete o declínio de 28% na produção de automóveis quando as fábricas fecharam;

  • OUTROS:
  • Os EUA registaram um déficit orçamental recorde de USD 738 mil milhões em abril de 2020, resultado do forte pacote de apoio

  • O PIB americano diminuiu 4.8% no primeiro trimestre de 2020, segundo os resultados estimados publicados pela BEA (Bureau of Economic Analysis) no dia 29 de Abril. Esta redução ocorre após um aumento de 2,1% no quarto trimestre de 2019.

  • Perspetivas:
  • A  Goldman Sachs reviu em baixa a sua perspectiva para a economia dos EUA entre abril e junho. O banco de investimento espera agora uma taxa anualizada de contração de 34% face ao trimestre anterior. A última estimativa era de 24%. Esta previsão é fruto da análise de que o colapso do mercado de trabalho dos EUA será ainda pior do que o previsto;

  • O "Congressional Budget Office (CBO)” divulgou esta terça-feira, dia 19 de maio, a sua perspetiva negra sobre o crescimento econômico, desemprego e orçamento federal. Prevê ganhos de emprego ainda este ano, mas um clima geral que permanecerá moderado até 2021, nomeadamente:

    - O CBO projeta que o PIB americano caia 38% no segundo trimestre de 2020, já que 26 milhões de americanos continuam desempregados.

    - Tendo em consideração o dinheiro aprovado no congresso até ao momento, a CBO disse que tal aumentaria o déficit federal em US $ 2,1 bilhões no ano fiscal de 2020 e USD 600 mil milhões em 2021. Esses níveis de deficit equivalem a cerca de 11% do PIB nominal no ano de 2020 e 3% em 2021.

  • De acordo com a NRF (National Retail Federation) prevê-se uma quebra de 430 mil milhões de dólares no setor de retalho nos próximos 3 meses, com 630 mil lojas a encerrar. O setor de retalho, com 52 milhões  de trabalhadores, é o maior contribuinte para a economia dos EUA (representa 3.9 mil milhõesde dólares no PIB americano). As lojas de especialidade, department stores, lojas de vestuário/moda e segmento de luxo registam uma redução de 97.6% de tráfico;

  • O FMI afirma que o mundo irá muito provavelmente experienciar a pior recessão desde os anos 30. O FMI projeta que a economia global contraía 3% em 2020;

  • A World Trade Organization prevê que o comércio mundial irá cair entre 13% a 32% em 2020, uma vez que a pandemia do COVID-19 interrompe a atividade económica normal e a vida em todo o mundo. E espera uma recuperação do comércio em 2021, mas dependente da duração do surto e da eficácia das respostas políticas.

QUAIS OS PRINCIPAIS PROBLEMAS QUE SE IDENTIFICAM A NÍVEL LOGÍSTICO?
  • Link que compila informação e declarações de empresas e organizações sobre o impacto da COVID-19 na cadeia de fornecimentos: https://www.wbur.org/onpoint/2020/05/05/coronavirus-global-supply-chains

  • Cancelamento de todo o tipo de feiras e eventos públicos;

  • Cancelamento de voos e interdições de entradas no país.

  • O secretário da "Acting Homeland Security”, Chad Wolf, anunciou no dia 19 de Maio uma extensão indefinida das restrições de viagem nas fronteiras terrestres dos EUA na terça-feira, dizendo que "agora não é hora de mudar de rumo". Ele também estendeu indefinidamente as regras de aplicação de emergências que permitiram que a Alfândega e a Proteção de Fronteiras dos EUA "expulsassem" rapidamente, desde o final de março, mais de 20.000 passagens de fronteira não autorizadas.

  • Queda do preço do petróleo e combustíveis;

  • Queda das atividades portuárias e nas cadeias de fornecimento ("supply chain”);

  • Aumento do nível de constrangimentos nas cadeias de fornecimento, nomeadamente na obtenção de produtos intermédios essenciais para produção final.

  • Amazon e outros grandes retalhistas estão a dar prioridade a encomendas essenciais e possibilidade de experienciar atrasos nas entregas. Têm inclusive um liveblog informativo do combate ao Covid-19, com as ações tomadas pela empresa até ao momento;

QUAIS OS PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS NÃO LOGÍSTICOS QUE EXISTEM?
  • No dia 20 abril, Trump postou no Twitter a intenção de emitir uma ordem executiva abrangente para suspender a  imigração para os Estados Unidos, incluindo a emissão de green cards, de forma a proteger o emprego para os americanos;

  • Está-se a verificar um aumento de novos casos de covid-19 em alguns estados como Alabama e Texas depois de estes terem aliviado as restrições à atividade económica. Estas reaberturas graduais não estão em conformidade com o plano geral e não vinculativo que tinha sido definido inicialmente pela Casa Branca (ex: pelo menos duas semanas de queda sustentada de novas infeções)

  • Google espera apenas atingir 30% de ocupação dos seus escritórios até ao final deste ano. Apesar do número de trabalhadores que irá regressar ao espaço físico seja substancialmente superior. Contudo existirão horários rotativos que irá colocar a sua ocupação máxima apenas nos 30%.

  • Perspetivas:
  • Quando a economia dos EUA começou a entrar em confinamento, forçando muitos americanos a trabalhar a partir de casa, empresas de tecnologia, seguros e serviços financeiros investiram fortemente em ferramentas de trabalho remotas. À medida que os trabalhadores e gerentes começaram a adaptar-se ao novo normal, parece improvável que as empresas abandonem rapidamente o trabalho remoto.

  • Vários estudos recentes descobriram que a maioria dos americanos acredita que é muito cedo para voltar ao que era a vida pré-pandêmica. (https://fivethirtyeight.com/features/most-americans-think-its-too-soon-to-return-to-what-life-was-like-pre-pandemic/).

QUAIS AS PRINCIPAIS MEDIDAS QUE O GOVERNO ESTÁ A IMPLEMENTAR PARA REDUZIR OU MITIGAR AS CONSEQUÊNCIAS DO CORONAVÍRUS?
    Medidas tomadas pelo Governo e Reserva Federal Americana como combate à propagação e ao impacto económico-financeiro do coronavírus:

    MARÇO:
  • Presidente Donald Trump assina pacote de gastos de emergência de 8.3 mil milhões de dólares. O pacote de emergência providencia financiamento às autoridades que já se encontravam no combate de contenção da propagação do coronavírus e aloca 3 mil milhões para investigação de vacinas.

  • Presidente Trump invoca a Lei da Produção de Defesa. Após dias de crescente pressão, Trump disse que colocaria a Lei de Produção de Defesa da época da Guerra com a Coreia "em marcha" para mobilizar recursos empresariais privados e combater o coronavírus. A lei permite ao governo obrigar as empresas a fabricar suprimentos necessários durante uma crise, como máscaras médicas, ventiladores, luvas e cotonetes de teste.

  • Novo plano de ajuda aprovado pelo Senado. Na madrugada do dia 25 foi aprovado um pacote de estímulo à Economia Americana num valor de cerca de 2 biliões de dólares, o que representa um pacote de ajuda económico ainda mais forte do que aplicado na crise de 2008. Na sequência destas notícias os mercados financeiros viveram, no dia 24 de março, um dos maiores "rallys” da história (Dow Jones, SPX e NASDAQ tiveram subidas de 10% ou superiores).

  • Aqui estão alguns dos componentes deste plano:
  • 250 Mil milhões de dólares para pagamento ao individuais e famílias - Pagamentos em dinheiro até 1.200 dólares para indivíduos, 2.400 dólares para casais e 500 dólares por filho, reduzidos se um indivíduo ganhar mais de 75 mil ou um casal ganhar mais de 150 mil dólares. Quem ganhar mais de 99 mil dólares ao ano não terá direito a este subsídio.

  • 350 Mil milhões de dólares para empréstimos a pequenas empresas - Fundo de 350 mil milhões para pequenas empresas para mitigar demissões e apoiar a folha de pagamento.

  • 500 Mil milhões de dólares para Indústria – Disponíveis para o Departamento do Tesouro para fazer empréstimos, garantias e investimentos para ou em indústrias danificadas pela pandemia. Requer que os recebedores de empréstimos não comprem ações de volta durante o prazo de vencimento do empréstimo e que os executivos ou funcionários que faturaram mais de USD 425.000 em 2019 não obtenham aumentos pelos próximos dois anos. Requer ainda planos de saúde em grupo e provedores de seguros para cobrir, sem compartilhamento de custos, qualquer serviço preventivo do coronavírus, bem com um crédito fiscal mediante a retenção de funcionários.

  • 240 Mil milhões de dólares para assistência médica:

  • 75 Mil milhões em ajuda a hospitais;

  • 20 Mil milhões em cuidados de saúde para veteranos;

  • 20 Mil milhões para alívio emergencial de transporte público;

  • 10 Mil milhões para assistência em aeroportos;

  • 4,5 Mil milhões para os Centros de Controle e Prevenção de Doença.

  • Auxílio de 50 mil milhões para companhias aéreas na forma de empréstimos ou doações e outros USD 8 mil milhões para transportadoras de carga.

  • Auxílio de 17 mil milhões para "negócios não especificados críticos para manter a segurança nacional”.

  • 250 Mil milhões de dólares para reforçar o fundo desemprego - Reforçar os fundos de desemprego, que poderia potencialmente adicionar 600 dólares por semana até quatro meses, além do que cada estado daria aos beneficiários.

  • ABRIL:
  • O US Department of Treasure anunciou a prorrogação do pagamento de impostos, taxas e fees aplicadas às importações por um período de 90 dias, no sentido de mitigar, a curto prazo, a falta de liquidez por parte de alguns importadores que confrontam dificuldades financeiras significativas causadas pela pandemia da COVID-19. A medida temporária mantem as ações punitivas contra a China e outros países, incluindo a Airbus e produtos de aço e alumínio. Em janeiro os EUA e a China assinaram a primeira fase do acordo comercial que compromete a China a comprar mais produtos americanos, nomeadamente na agricultura e energia, em troca de um afrouxar das tarifas.

  • A administração Trump aprovou  no dia 24 de abril  um novo pacote de ajuda ao coronavírus no valor de cerca de 484 mil milhões de dólares, que inclui empréstimos às pequenas empresas e financiamento para hospitais e testes. O acordo atribui mais 310 mil milhões de dólares para o Programa de Proteção de Salários, dos quais 60 mil milhões serão reservados para pequenos credores. Este acordo também contempla 75 mil milhões de dólares para hospitais e 25 mil milhões para testes de coronavírus.

  • A administração Trump autorizou o adiamento por 90 dias no pagamento das tarifas de importação de alguns produtos, o que poderá trazer algum alívio à indústria da moda, vestuário e calçado, que são algumas das indústrias mais afetadas com o fecho dos espaços físicos, sendo também considerados produtos não essenciais. Esta medida terá muitas restrições, não se aplicando, por exemplo, aos produtos oriundos da China.

  • MAIO:
  • Dia 15 de maio – foi aprovado na casa dos representantes uma proposta de lei que contempla mais USD 3 biliões de apoio, superiorizando o pacote que foi aprovado em Março. Segundo consta, não se espera que esta proposta seja aprovada no Senado dado que os Republicanos (maioria no Senado) argumentam que os estímulos à economia devem parar até se ter uma noção dos efeitos que os pacotes anteriores estão a ter ao mesmo tempo que tentam controlar o aumento do deficit. Este novo pacote de ajuda proposto, de acordo com um resumo, incluía: quase USD 1 bilião em ajuda para governos estaduais e locais; uma segunda ronda de pagamentos diretos de USD 1.200 por pessoa e até USD 6.000 para uma família; cerca de USD 200 mil milhões em indenizações por trabalhadores essenciais que enfrentam riscos maiores à saúde durante a crise; 75 mil milhões de USD para testes de coronavírus e rastreamento de contatos - um esforço importante para reiniciar os negócios; uma extensão do benefício federal de seguro-desemprego de USD 600 por semana até janeiro 2021 (a provisão aprovada em março deve expirar após julho 2020); 175 mil milhões de USD em rendas, hipoteca e assistência a serviços públicos; subsídios e um período especial de inscrição no "Affordable Care Act” para pessoas que tenham perdido o seu seguro de saúde que era coberto pelo empregador; mais dinheiro para o Programa de Assistência Nutricional Suplementar, incluindo um aumento de 15% no benefício máximo; medidas projetadas para impulsionar pequenas empresas e ajudá-los a manter os funcionários na folha de pagamento, como USD 10 mil milhões em subsídios de assistência a desastres de emergência e um crédito fiscal de retenção de funcionários fortalecido: dinheiro para a segurança das eleições durante a pandemia e provisões para facilitar a votação pelo correio; alívio para o Serviço dos Correios dos EUA; a Food and Drug Administration esta a tomar medidas no sentido de combater a comercialização de produtos medico-farmacêuticos fraudulentos colocados no mercado para tratamento da COVID-19.

  • Perspetivas:
  • Na generalidade, perspetiva-se que o "bottom" nos mercados financeiros tenha ocorrido no dia 23 de março, com o S&P500 a atingir durante esse dia valores inferiores a 2200.

PRINCIPAIS MEDIDAS PRECONIZADAS PARA REINÍCIO DA ATIVIDADE ECONÓMICA
  • A White House compilou um conjunto de orientações com vista à reabertura da economia, organizado em três fases, e a serem aplicadas depois de satisfeitos certos critérios, que incluem e dependem da trajetória favorável dos casos, capacidade de tratamento dos hospitais e programa de testes para os trabalhadores da saúde. Guidelines Opening Up America Again: https://www.whitehouse.gov/openingamerica/

  • O presidente Trump, declarou no dia 28 de abril, que irá assinar uma ordem executiva que lida com questões de responsabilidade do empregador que possam surgir na sequência do surto do coronavírus. Isto significa que as autoridades administrativas acreditam que as empresas que estão a reabrir necessitam de proteção para o fazer contra possíveis ações judiciais que os funcionários possam abrir caso fiquem doentes. Esta medida pretende funcionar como uma espécie de injeção de confiança indireta e de conforto para as empresas.

  • A Fiat Chrysler espera reiniciar a maioria das suas fábricas na América do Norte na semana de 18 de maio, após o encerramento do coronavírus levar a uma perda de US $ 1,8 mil milhões (1,7 bilhão de euros) no primeiro trimestre. A empresa, assim como a General Motors e a Ford Motor, estão em discussão com o sindicato United Auto Workers há semanas para reabrir as fábricas dos EUA.

  • FDA anuncia as boas práticas para a reabertura dos estabelecimentos de venda de alimentos ao público.

  • Decisões já anunciadas por alguns Estados:
  • Com as determinações oficiais e períodos de confinamento a terminarem, vários Estados estão a autorizar a reabertura gradual de regiões ou áreas, bem como alguns setores de negócios não essenciais. No estado de Nova Iorque, a reabertura está por agora limitada aos setores da  construção (parcialmente), industria, e retalho (porem limitado a entregas fora de porta). A cidade de Nova Iorque, o hotspot do país,  será contudo um dos últimos lugares a reabrir. Alguns Estados permanecem debaixo das ordens de confinamento: New Jersey, Delaware, District of Columbia, Illinois, Michigan e Puerto Rico. Para mais detalhes: https://www.nytimes.com/interactive/2020/us/states-reopen-map-coronavirus.html


Nota: Tendo em conta o rápido desenvolvimento da pandemia COVID-19 e dos seus impactos na economia dos diversos países, a informação constante nesta página poderá não corresponder à totalidade da informação do mercado disponível e poderá ficar temporariamente desatualizada.

Última atualização: 22 de Maio de 2020.


FONTE:
AICEP PORTUGAL GLOBAL. Covid-19: Impacto nos Mercados. Disponível em: https://www.portugalexporta.pt/mercados-internacionais/impacto-covid-19
Acesso em: 22 de Maio de 2020