Impactos do COVID-19 na Alemanha

Conheça os impactos do COVID-19 na Alemanha e as medidas de apoio que estão a ser tomadas



SETORES ATUALMENTE COM MAIORES CONSTRANGIMENTOS NESTE MERCADO
  • Todos os sectores da indústria transformadora com exceção da indústria da saúde.

  • Em março de 2020, a produção da indústria transformadora caiu 9,2% face ao mês precedente, as encomendas à indústria 15,6%, as exportações caíram 7,9%, as importações 4,5% (fonte: Destatis).

  • Receitas fiscais do Estado Federal deverão diminuir € 44 mil milhões em 2020 (fonte: Ministério Federal das Finanças).

  • A Confederação da Indústria Alemã (BDI) no dia 7/5/2020 indicou as taxas seguintes da utilização das capacidades instaladas no T2 de 2020 por setores mais relevantes: Indústria transformadora total 70,6%, indústria química 76,8%, automóvel e componentes 44,9% (taxa mais baixa desde sempre), metalo-mecânica 77,7%, indústria de mobiliário 70,0%, produção de alimentares 74,8%, indústria têxtil 64,5% (taxa mais baixa neste setor desde sempre), indústria farmacêutica 91,0% (taxa mais elevada neste setor desde sempre), fonte: Documento "Consequências Económicas do Covid-19", BDI, 7/5/2020, pág. 14-15.

  • Atividade económica retoma gradualmente com elevadas limitações. Indústria, nomeadamente automóvel, tende a retomar com 1 de 3 turnos. Comércio de todo o tipo em todos os Estados Federados retomou com nº de acessos restringidos, mas sem limites quanto aos espaços ocupados.

  • Contudo, sector automóvel, 4 semanas depois de retomar gradualmente produção na Alemanha e Europa, depara-se com falta de procura e acumulação de stocks, voltando por isso à redução de produção, reduzindo o número de turnos.  

  • Empresas de serviço com trabalhadores ainda em teletrabalho. Começa a verificar-se o regresso parcial desde final de maio/início de junho, mas muitas empresas contemplam um regime a 50%, alternando equipas. Normalidade só depois de haver vacina,

  • Turismo e restauração com reabertura gradual, conforme regulamentos diferentes nos 16 Estados Federados.

  • Governo quantificou impacto COVID-19: PIB deverá cair 6,3% em 2020 (maior diminuição anual de sempre) em 2020 e recuperar 5,2% em 2021.

  • Desemprego e trabalhos em horários reduzidos registam aumentos drásticos: em abril de 2020, o desemprego atingiu mais 415 mil pessoas face a abril de 2019 (taxa de desemprego de 5,8%, atingindo um total de 2,6 milhões de pessoas), a que há que somar 10,1 milhões de empregados em regime de horários reduzidos (semelhante a layoff parcial).

  • Entraram em vigor flexibilizações mais amplas conforme resultados da reunião entre o governo federal e os "Länder" (Estados Federados) no dia 6/5/2020: Estabeleceu-se um limite de 50 pessoas infetados novos por 100 000 habitantes nas comarcas para uma reintrodução de restrições aos contactos sociais nas respetivas comarcas (de momento em vigor: permissão de encontros de até cinco pessoas de duas famílias diferentes). Delegação das competências do governo federal para as autoridades competentes regionais (Estados Federados e comarcas).

  • Setor da saúde ultrapassou pico de procura, hospitais voltam ao regime normal.

  • Estado equaciona entrar no capital de empresas que representem risco sistémico: Lufthansa (ainda em negociação um pacote de intervenção estatal com um valor total de € 10 mil milhões), Condor (com crédito de €550 milhões), TUI, Adidas, Thyssen-Krupp. Empresas ligadas ao transporte e turismo as primeiras a perfilarem-se, mas também empresas de outros setores abrangidos. Estado sonda injetar até € 10 mil milhões na Deutsche Bahn.

  • Existência de falhas nas cadeias de fornecimento, diminuição na oferta. Forte redução na procura. Restrições ao consumo e movimentos.

QUAIS OS PRINCIPAIS PROBLEMAS QUE SE IDENTIFICAM A NÍVEL LOGÍSTICO?
  • Levantamento parcial do regime restritivo nas fronteiras com o Luxemburgo, a França, a Áustria e Suíça para viagens particulares, situação de quarentena (14 dias para todos as pessoas a entrarem no país) a ser revista por alguns dos Estados Federados (Renânia do Norte-Vestefália e Baixa Saxónia).

  • Frete rodoviário e ferroviário retoma normalidade a preço mais elevado. Fala-se em +20%.

  • Retoma parcial do transporte aéreo. A Luftansa mantem algumas ligações operacionais, pretendendo aumentar número de voos/ligações a partir de junho. Grandes aeroportos com transporte de carga com um recuo de movimentos gradualmente menos drástico (FFM - 84%; Colónia -66, Leipzig -24%) em comparação com os sem carga (entre -89% e -95%, fonte: BDI).  Natural que a Tap reinicie muito gradualmente operação a partir de meados de Maio, com ligação bissemanal LIS-FRA.

  • Sistemas de transporte público nos centros urbanos regressaram a horários normais.

  • Atividade logística de curta-distância ainda com atrasos nos prazos de entrega.

QUAIS OS PRINCIPAIS CONSTRANGIMENTOS NÃO LOGÍSTICOS QUE EXISTEM?
  • Choque na procura continua. Redução considerável no consumo.

  • Crise de liquidez, layoff e subida de desemprego. Restrições quanto ao turismo interno e à gastronomia gradualmente levantadas, conforme as medidas implementadas a nível dos diferentes Estados Federados ("Länder"). Fala-se que 1/3 das empresas do sector hotelaria e turismo não retome atividade.

  • Medidas restritivas à livre circulação de pessoas em vias de flexibilização.

  • Muitas empresas pretendem manter regime de teletrabalho.

  • Reuniões que impliquem deslocações substituídas por videoconferência.

  • Aumento da litigância em contratos e em questões laborais.

QUAIS AS PRINCIPAIS MEDIDAS QUE O GOVERNO ESTÁ A IMPLEMENTAR PARA REDUZIR OU MITIGAR AS CONSEQUÊNCIAS DO CORONAVÍRUS?
    Pacote de auxílio total à economia ascende a 1.135 mil milhões de euros, equivalente a 33% do valor do PIB, entre garantias, créditos e esforço orçamental.

  • Sector da saúde: 3.5bn de euros de apoios diretos à produção de equipamento de proteção e investigação da vacina contra o Covid'19.

  • Liquidez: novo programa de cedência de liquidez conduzido pelo banco de fomento KFW, que assume garantia de empréstimo até 100% do total. Limite de 1bn de euros por empresa, condicionado a 25% do VN de 2019 ou dobro dos encargos salariais de 2019 ou 50% do valor total da dívida líquida pré-existente. Apoios disponíveis apenas para empresas sem problemas financeiros até 31.12.2019, com lucros nos três últimos exercícios.

  • Fundo de Estabilização da Economia: envelope total de 600bn de euros maioritariamente voltado para as grandes empresas, compreendendo três linhas de apoio:

  • 400bn de euros de garantias de crédito

  • 100bn de euros de medidas de capital, com possibilidade de assumir posições acionistas nas empresas

  • 100bn de euros de medidas de refinanciamento de programas especiais do banco de fomento KfW

  • Possibilidade de acesso a empréstimos a partir de 25 milhões de euros. O montante máximo do empréstimo poderá ser ilimitado se houver evidência de um requisito de liquidez correspondente. O empréstimo poderá ser utilizado para financiar investimentos ou fundo de maneio.

  • Flexibilização do regime de trabalho temporário e assunção integral das responsabilidades sociais por parte do Estado.

  • Injeção de liquidez nas empresas por redução de pagamentos por conta, moratória no pagamento de impostos e encargos sociais. Valores ainda em negociação com os Estados Federados e portanto não quantificados.

  • Injeção "sem limites" de liquidez para sustentar empresas que suspenderam atividade por falta de encomendas/falha na cadeia logística. Financiamento bancário respaldado em programas de assistência de liquidez por entidades públicas.

  • Apoio direto a empresários em nome individual e a pequenas empresas até 10 empregados (pagamentos até 15 mil euros a fundo perdido por empresa).

  • Fomento duma resposta concertada no seio da UE, respaldando as iniciativas da Comissão e BCE.

  • Novas medidas de emergência destinadas aos setores que permanecem "congelados" por mais tempo do que outros, como cultura, hotelaria, feiras e eventos em discussão.

  • Ministro das Finanças com um eventual novo pacote de apoios pretende dinamizar a transformação ecológica e tecnologias de futuro.

  • Programa detalhado em https://www.bundesfinanzministerium.de/Content/DE/Standardartikel/Themen/Schlaglichter/Corona-Schutzschild/2020-03-13-Milliarden-Schutzschild-fuer-Deutschland.html (Fonte: Ministério das Finanças 23/04/2020, acesso: 5/5/2020)

  • Realidade dinâmica e evolutiva, com o compromisso de princípio a permitir ao longo do tempo ajustar medidas e compromissos financeiros necessários.

PRINCIPAIS MEDIDAS PRECONIZADAS PARA REINÍCIO DA ATIVIDADE ECONÓMICA:
    Maior número de testes e uso obrigatório de máscaras em espaços públicos.

    A Alemanha tenta manter a taxa de infeção num nível < 1 por cada pessoa infetada, o que significa que a curva está em desaceleração acentuada de contágio.

    Para se poder evoluir para mais medidas de abertura será necessário que este rácio se mantenha.

  • Não obstante a fortíssima queda das receitas fiscais, a Chanceler, vários partidos e think-tanks pronunciaram-se (de momento) contra um aumento de imposto.


Nota: Tendo em conta o rápido desenvolvimento da pandemia COVID-19 e dos seus impactos na economia dos diversos países, a informação constante nesta página poderá não corresponder à totalidade da informação do mercado disponível e poderá ficar temporariamente desatualizada.

Última atualização: 22 de Maio de 2020.


FONTE:
AICEP PORTUGAL GLOBAL. Covid-19: Impacto nos Mercados. Disponível em: https://www.portugalexporta.pt/mercados-internacionais/impacto-covid-19
Acesso em: 22 de Maio de 2020