Rangel Talks: Daniel Gaio Simões, Country Head Portugal, General Manager da Bayer

A parceira com a  Rangel tem sido particularmente relevante, porque assenta numa visão comum de excelência operacional e melhoria contínua. Desde 2015, construímos uma relação baseada na confiança, na capacidade de adaptação e num profundo entendimento das exigências do setor da saúde.”

Daniel Gaio Simões

Num setor onde inovação, confiança e rigor são essenciais, a logística assume um papel cada vez mais estratégico. Em Portugal, a Bayer alia uma presença próxima à força de uma empresa global de ciências da vida, com a missão de contribuir para os grandes desafios da saúde e da alimentação. Em entrevista, Daniel Gaio Simões, Country Head Portugal, General Manager da Bayer, fala sobre o futuro da saúde, o impacto da inteligência artificial e da medicina personalizada, os desafios de liderar num contexto de mudança e a importância de construir parcerias sólidas e duradouras.

A Bayer é uma empresa com mais de 160 anos de história e presença global. Como descreve o papel da Bayer em Portugal e quais são hoje as suas principais áreas de atuação?

A Bayer é uma empresa de ciências da vida com uma missão muito clara: contribuir para responder a dois dos grandes desafios do nosso tempo, a saúde e a alimentação. Em Portugal, esse propósito traduz-se no compromisso diário de colocarmos a ciência, a inovação e a confiança ao serviço das pessoas, dos profissionais de saúde, dos agricultores, dos parceiros e da sociedade.

A nossa atuação assenta em três áreas principais: Pharmaceuticals, onde trabalhamos para disponibilizar soluções terapêuticas inovadoras em áreas como a cardiologia, oftalmologia, oncologia, saúde da mulher, hematologia e radiologia; Consumer Health, com marcas e soluções de autocuidado que apoiam a saúde e o bem-estar das pessoas no dia a dia; e Crop Science, onde contribuímos para uma agricultura mais produtiva, sustentável e resiliente.

Em Portugal, temos também uma história de proximidade com o país, com os seus profissionais e instituições. Esse é um ativo muito importante: sermos uma companhia global, mas com uma presença local relevante, capaz de compreender o contexto português e de trabalhar em parceria para gerar valor real.

A ciência e a inovação estão no ADN da Bayer. Num contexto marcado pela transformação digital, pela inteligência artificial e pela medicina cada vez mais personalizada, quais considera serem as áreas mais estratégicas para o futuro da Bayer?

A inovação faz parte da identidade da Bayer desde a sua fundação, mas acredito que estamos a viver um dos momentos mais transformadores da história da saúde. A convergência entre ciência, dados, inteligência artificial e tecnologias digitais está a acelerar a forma como investigamos, desenvolvemos e disponibilizamos novas soluções para os doentes e consumidores.

Na área Pharmaceuticals, uma das grandes prioridades é a evolução para uma medicina cada vez mais personalizada. A utilização de dados clínicos, biomarcadores e novas ferramentas digitais permite-nos compreender melhor as necessidades dos doentes e desenvolver abordagens terapêuticas mais dirigidas e eficazes. A inteligência artificial desempenha aqui um papel crescente, desde a descoberta de novas moléculas até ao desenho de ensaios clínicos e à análise avançada de dados.

Outra área particularmente relevante para a Bayer é a Radiologia. Estamos a assistir a uma verdadeira transformação impulsionada pela inteligência artificial, capaz de apoiar os especialistas na interpretação de imagem médica, acelerar processos de diagnóstico e contribuir para decisões clínicas mais informadas e atempadas.

No Consumer Health, a inovação passa por permitir que as pessoas assumam um papel cada vez mais ativo na gestão da sua própria saúde. A digitalização, o acesso à informação e novas soluções de autocuidado estão a criar um consumidor mais informado e exigente, o que representa uma enorme oportunidade para desenvolver produtos e serviços com maior impacto na prevenção e no bem-estar.

O futuro da Bayer passará por continuar a combinar excelência científica com tecnologia avançada, sempre com um objetivo muito claro: melhorar a qualidade de vida das pessoas através da inovação.

Como Country Head e General Manager da Bayer Portugal, quais considera serem os maiores desafios de liderar uma organização num contexto de mudança acelerada, em que inovação, talento e sustentabilidade assumem um papel cada vez mais determinante?

Liderar hoje é, acima de tudo, saber criar clareza num contexto de mudança constante. Vivemos num ambiente exigente, marcado por transformações tecnológicas, pressão sobre os sistemas de saúde, alterações climáticas, novas expectativas sociais e uma necessidade crescente de sustentabilidade em toda a cadeia de valor.

O primeiro desafio é manter o foco no propósito. Quando uma organização tem uma missão tão relevante como a da Bayer, é fundamental que cada decisão esteja alinhada com o impacto que queremos gerar na sociedade. O segundo desafio é desenvolver talento: precisamos de equipas preparadas para aprender continuamente, colaborar de forma transversal e transformar conhecimento em ação.

Outro desafio essencial é criar uma cultura de adaptação. A inovação não se faz apenas nos laboratórios; faz-se também na forma como trabalhamos, como colaboramos com parceiros, como simplificamos processos e como respondemos às necessidades do mercado.

E, finalmente, há o desafio da sustentabilidade. Hoje, liderar uma empresa significa integrar a sustentabilidade na estratégia de negócio, nas operações e nas parcerias. Não é uma agenda paralela; é uma condição para o crescimento responsável e para a criação de valor a longo prazo.

Num setor onde a disponibilidade dos produtos, a rastreabilidade e a resiliência das cadeias de abastecimento são determinantes, que papel assume hoje a logística na estratégia global da Bayer? E, olhando para a parceria com a Rangel, iniciada em 2015, o que considera ter sido determinante para o sucesso desta colaboração em Portugal?

A logística é hoje uma função estratégica para qualquer empresa de saúde. Na Bayer, desenvolvemos soluções inovadoras, mas o seu valor só se concretiza quando conseguimos garantir que chegam aos profissionais de saúde, às farmácias, aos hospitais e aos consumidores de forma segura, eficiente e atempada.

No setor farmacêutico e no autocuidado, os níveis de exigência são particularmente elevados. Questões como a rastreabilidade, o controlo de qualidade, a conformidade regulamentar, a gestão de temperatura, a segurança dos produtos e a continuidade do abastecimento são elementos críticos para garantir a confiança dos doentes, dos profissionais de saúde e dos consumidores.

Ao longo dos últimos anos, assistimos ainda a vários desafios globais que demonstraram a importância de cadeias de abastecimento resilientes e capazes de responder a contextos de elevada complexidade. Hoje, a logística é muito mais do que uma atividade operacional; é uma componente essencial da experiência do cliente e da qualidade do serviço prestado.

A parceria com a Rangel tem sido particularmente relevante porque assenta numa visão comum de excelência operacional e melhoria contínua. Desde 2015, construímos uma relação baseada na confiança, na capacidade de adaptação e num profundo entendimento das exigências do setor da saúde.

Mais do que um fornecedor de serviços, a Rangel tem sido um parceiro que acompanha a evolução do nosso negócio e que partilha connosco o compromisso de garantir que os produtos Bayer chegam aos seus destinatários com os mais elevados padrões de qualidade, segurança e fiabilidade.

Que tendências acredita que irão transformar os setores farmacêutico e do autocuidado nos próximos anos e de que forma a Bayer se está a preparar para responder a essa evolução?

Acredito que estamos perante uma transformação profunda dos cuidados de saúde, impulsionada por três grandes tendências: o envelhecimento da população, a digitalização e o crescimento da medicina personalizada.

Por um lado, o aumento da esperança média de vida está a conduzir a uma maior prevalência de doenças crónicas, exigindo soluções terapêuticas mais eficazes e uma maior aposta na prevenção. Por outro, a crescente utilização de dados e inteligência artificial está a revolucionar todas as etapas do ecossistema da saúde, desde a investigação científica até ao acompanhamento dos doentes.

Assistiremos também a uma integração cada vez maior entre diagnóstico e tratamento. Áreas como a radiologia, a imagiologia avançada e a análise de dados clínicos terão um papel fundamental na deteção precoce da doença e na tomada de decisões clínicas mais precisas.

No Consumer Health, a principal transformação será o crescente protagonismo das pessoas na gestão da sua saúde. Os consumidores procuram informação, soluções personalizadas e ferramentas que os ajudem a prevenir doença e a adotar estilos de vida mais saudáveis. Esta tendência deverá continuar a acelerar nos próximos anos.

A Bayer está a responder a esta evolução através de um forte investimento em investigação e desenvolvimento, da utilização crescente de tecnologias digitais e da construção de parcerias estratégicas que permitam acelerar a inovação. O nosso objetivo é simples: transformar avanços científicos em benefícios concretos para os doentes, consumidores e profissionais de saúde.

Quando olha para o futuro da Bayer em Portugal, quais são as suas principais ambições para os próximos anos e que legado gostaria que a empresa deixasse no país?

A minha ambição é que a Bayer continue a ser reconhecida em Portugal como uma empresa de confiança, inovadora e relevante para a sociedade. Queremos continuar a contribuir para melhorar a saúde das pessoas, apoiar os profissionais de saúde, promover o autocuidado responsável e contribuir para uma agricultura mais sustentável e produtiva.

Mas esta ambição não se mede apenas em produtos ou projetos. Mede-se também na forma como trabalhamos: com ética, transparência, colaboração e foco no impacto. Gostaria que o legado da Bayer em Portugal fosse o de uma empresa que ajudou a construir pontes entre ciência e sociedade, entre inovação e acesso, entre sustentabilidade e crescimento, entre saúde humana e saúde do planeta.

Temos equipas muito competentes, parceiros relevantes e uma marca que os portugueses conhecem e em que confiam. O nosso desafio é continuar a merecer essa confiança todos os dias, antecipando necessidades e contribuindo para soluções que façam diferença.

A parceria entre a Bayer e a Rangel teve início em 2015 e continua a evoluir. Se tivesse de a definir em três palavras, quais escolheria e porquê?

Escolheria confiança, rigor e evolução.

Confiança, porque uma parceria deste tipo só se constrói quando existe transparência, compromisso e capacidade de resposta consistente ao longo do tempo.

Rigor, porque trabalhamos num setor altamente exigente, onde a qualidade, a rastreabilidade, o cumprimento de normas e a segurança operacional são fundamentais.

E evolução, porque a parceria não ficou parada no tempo. Desde 2015, tem acompanhado as necessidades do negócio, a transformação das cadeias de abastecimento e a crescente importância da resiliência logística. Para nós, uma boa parceria é precisamente isso: uma relação que entrega no presente, mas que se prepara continuamente para o futuro.