Rangel Talks: Carlos Ribas, Representante da Bosch em Portugal e Paula Ferreira, Diretora Logística da Bosch Car Multimédia Portugal

Entrevista a Carlos Ribas, Representante da Bosch em Portugal e Paula Ferreira Diretora Logística da Bosch Car Multimédia Portugal

A parceria com a Rangel permitiu-nos conseguir salvaguardar capacidade para aumentar o stock de componentes mais críticos sem criar bottlenecks nas nossas operações dentro da fábrica. Além disso, a flexibilidade da Rangel para se ajustar às flutuações dos últimos tempos permitiu manter a satisfação dos nossos clientes.

CARLOS RIBAS E PAULA FERREIRA

A Bosch, uma das maiores exportadoras de Portugal, é das empresas que mais aposta na inovação, investigação e desenvolvimento tecnológico, pois acredita que estes fatores são o segredo para o futuro. Tendo como base o desenvolvimento e produção de “Tecnologia para a Vida”, para melhorar a qualidade de vida das pessoas, para além da sua sede em Lisboa, encontra-se distribuída por 3 unidades em Portugal: Bosch Car Multimedia (Braga), Bosch Security Systems (Ovar) e Bosch Termotecnologia (Aveiro).

A sua unidade em Braga pertence à divisão Automotive Electronics e foca-se no desenvolvimento e produção de soluções de multimédia e sensores automóvel. A Rangel gere desde 2019 a operação logística desta unidade, a partir de um armazém dedicado com 6.500m2, nas proximidades desta plataforma industrial, onde assegura serviços de receção de importação de matéria-prima e produto acabado dos fornecedores nacionais e internacionais da Bosch, de diferentes regiões do globo, de armazenamento e de abastecimento da fábrica durante 24h/365 dias, em função das ordens de produção.

A perspetiva da empresa é de continuar a crescer nas áreas do conhecimento e da criação, seja através dos centros de I&D ou nas parcerias de inovação, e considera o seu processo logístico desafiante, pelo seu número de clientes e portefólio diversificado de produtos e de matérias-primas com que lida, tal como referem Carlos Ribas, administrador e representante da Bosch em Portugal, e Paula Ferreira, Diretora da Logística da Bosch Car Multimédia Portugal.

Como avalia o crescimento da Bosch em Portugal? E quais as áreas em que perspetivam crescer nos próximos anos?

A Bosch em Portugal prevê manter um ritmo de crescimento significativo, na sequência do que tem acontecido nos últimos anos. Vamos continuar a crescer nas áreas do conhecimento e da criação, seja através dos nossos centros de I&D ou nas parcerias de inovação, que temos com várias universidades. Perspetivamos também um forte aumento na manufatura, em todas as unidades Bosch em Portugal: em Braga (Bosch Car Multimedia Portugal, S.A.) teremos novos produtos como o Radar e computadores automóveis; em Ovar (Bosch Security Systems, S.A.) decorrem novos projetos para sistemas de vídeo e mobilidade 2-rodas; e em Aveiro (Bosch Termotecnologia, S.A.) vamos ter os esquentadores inovadores e bombas de calor. Depois, ainda temos o setor dos serviços em Lisboa (Robert Bosch, S.A.), onde se prevê um crescimento com a aquisição de novos clientes.

Qual o balanço que faz do ano de 2021?

2021 foi um ano extremamente desafiante para a Bosch em Portugal. Menos positivo, para a unidade de Braga, ligada à indústria automóvel, devido à escassez de componentes eletrónicos no mercado. Para a Bosch, em Ovar e Aveiro, o desafio foi no sentido contrário, cateterizado pelo crescimento significativo, sendo que o resultado de 2021 irá ser positivo.

A situação na Bosch Lisboa mantém-se a um nível estável, mas com tendência de crescimento.

Tendo em conta todas as adversidades como a pandemia, falta de componentes e dificuldade com os transportes, penso que podemos dizer que foi um ano difícil, mas satisfatório para a Bosch em Portugal.

Como descreve o processo logístico da Bosch e a parceria com a Rangel?

O processo logístico da BOSCH é desafiante, se considerarmos o número de clientes e o portefólio diversificado de produtos e de matérias-primas com que lidamos, assim como também as interfaces onde intervimos.

O nosso foco é acrescentar valor à nossa organização e também aos nossos parceiros.

A parceria com a Rangel permitiu-nos assegurar esse foco no valor acrescentado, trazendo uma maior flexibilidade e agilidade aos nossos processos logísticos.

Quais têm sido os vossos principais desafios logísticos e de que forma a Rangel contribui para ultrapassá-los?

Na logística os desafios são constantes, mas não há dúvidas que nestes últimos dois anos os desafios foram ainda mais intensos, com a crise pandémica e agora, principalmente, com a situação global de falta de componentes eletrónicos e o aumento drástico dos custos dos transportes marítimos.

A parceria com a Rangel permitiu-nos conseguir salvaguardar capacidade para aumentar o stock de componentes mais críticos, sem criar bottlenecks nas nossas operações dentro da fábrica. Além disso, a flexibilidade da Rangel para se ajustar às flutuações dos últimos tempos permitiu manter a satisfação dos nossos clientes.

Atualmente, a indústria automóvel está a passar por um período de grande dificuldade, devido à escassez de semicondutores. De que forma, esta chamada “crise dos chips”, está a afetar o vosso negócio e quais os planos que a Bosch tem para combatê-la?

A unidade, fortemente, afetada por esta crise é, sem dúvida, a de Braga, que é a única ligada à indústria automóvel. Isso vai refletir-se na sua faturação. Para colmatar esta situação, estamos a trabalhar em modo Task Force, quer com os fornecedores de componentes, quer com os clientes, de forma a que estes sejam afetados o mínimo possível. Está a ser feito um seguimento permanente com os fornecedores de semicondutores a nível da fábrica, mas também através dos serviços centrais da Bosch. Penso que, também, é importante realçar que a escassez de matéria prima não é o único fator a causar constrangimentos. Temos também o facto do aumento muito significativo dos custos com os componentes, mas, sem dúvida, também com os transportes.

Qual a sua visão sobre o futuro da mobilidade para Portugal e para o mundo?

A visão para Portugal é basicamente como para o resto do mundo.

O futuro da mobilidade, como todos sabemos, vai ser tendencialmente elétrica, conectada e autónoma. Também se prevê que na parte da utilização venha a ser cada vez mais partilhada, o que vinha a acontecer no período pré-covid e que prevemos que venha a acentuar-se ainda mais, logo que esta pandemia termine.

E relativamente aos carros elétricos e movidos a hidrogénio, qual a sua perspetiva?

Vamos passar por várias fases da transformação tecnológica. A sequência tem sido a seguinte: Motores de combustão interna (gasolina/gasóleo), depois os híbridos e, neste momento, a tendência é para veículos híbridos plug-in. Durante a próxima década pensamos que a transformação passará para essencialmente elétrico. De seguida, poderá haver, efetivamente, uma mudança para veículos a hidrogénio, ou outro tipo de energia que, entretanto, surja.

Numa frase, como classifica a parceria entre a Bosch e a Rangel?

Uma experiência muito compensadora, que produz valor acrescentado.

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