Logística em África: oportunidades e desafios

logística em áfrica: oportunidades e desafios ao investir

Dotado de uma grande riqueza de recursos naturais e com uma evolução demográfica que faz com que seja o continente mais jovem, África posiciona-se cada vez mais como uma região incontornável para receber investimentos de todo o mundo. Conheça as oportunidades que este continente apresenta para as empresas que queiram investir, sem esquecer os desafios inerentes à logística em África.

Principais riscos e oportunidades no curto e médio prazo

“África vai ter um papel cada vez mais importante, e é por isso que o investidor privado tem de ter atenção, senão perde o próximo barco do crescimento”. As palavras são de Abebe Aemro Selassie, diretor do departamento africano do Fundo Monetário Internacional (FMI). E constituem, assim, um alerta para todos os agentes económicos que estão interessados em fazer negócios em África, mas que hesitam devido aos riscos associados ou à atual conjuntura.

À semelhança de outras regiões do globo, o continente africano não escapou aos efeitos da pandemia, que atirou as economias da região para a pior recessão em mais de meio século. Também o investimento direto estrangeiro (IDE) em África caiu 18% em 2020. E, de acordo com o Banco Africano para o Desenvolvimento, cerca de 30 milhões de africanos caíram numa situação de pobreza extrema no último ano. O cenário é, pois, delicado, com diversos riscos de curto prazo.

Cinco riscos no curto prazo

  • O sobreendividamento dos Estados para debelar os efeitos da pandemia e estimular a recuperação das economias;
  • A volatilidade dos mercados financeiros;
  • A fraca recuperação do turismo;
  • A possibilidade de a região enfrentar eventos meteorológicos extremos;
  • As crescentes tensões sociais, na sequência do aumento da pobreza e do acentuar das desigualdades sociais.

As oportunidades no horizonte

Embora existam riscos, há bons sinais a salientar. Em 2021, o continente deverá iniciar o caminho da recuperação, com uma estimativa de crescimento de 3,4% do PIB africano este ano e de 4,6% em 2022.

Este desempenho pode, de acordo com o Banco Africano para o Desenvolvimento, ser ainda superior se o acesso à vacinação contra a Covid-19 for universal e eficaz, e se o Acordo para a Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) for efetivamente implementado na sua globalidade. Ao mesmo tempo, a crescente digitalização da economia mundial poderá alavancar a transformação estrutural das economias africanas. Deste modo, contribuirá para a criação de mais emprego e para um desempenho melhor do que o previsto.

Em que consiste o Acordo da Zona de Comércio Livre Continental Africana?

Desde 1 de janeiro de 2021 que se encontra formalmente em vigor a Zona de Comércio Livre Continental Africana, aquela que é a maior área de comércio livre do mundo. No total, este bloco comercial conta com 1,3 mil milhões de pessoas e é responsável por um produto interno bruto combinado de 3,4 biliões de dólares.

O objetivo desta zona é estimular as trocas comerciais entre os países africanos, através da eliminação ou redução das taxas alfandegárias entre os membros. Ao mesmo tempo, pretende-se suprimir outro tipo de barreiras não tarifárias que possam constituir um entrave às trocas comerciais e à logística em África. Nesse sentido, foi criado um sistema de controlo online, mediante o qual as empresas e os agentes económicos podem reportar dificuldades no comércio interno, nomeadamente no que diz respeito a taxas, quotas, normas ou regulamentação.

De acordo com o Banco Mundial, o AfCFTA “representa uma grande oportunidade para os países impulsionarem o crescimento, para reduzir a pobreza e para ampliar a inclusão económica”.

A mesma instituição antevê que se o acordo for implementado na sua totalidade pode gerar ganhos de 450 mil milhões de dólares para a região. Deste montante, 292 mil milhões de euros resultarão da implementação de medidas que reduzam a burocracia, simplifiquem os procedimentos alfandegários e permitam às empresas africanas a integração nas cadeias de abastecimento globais. Ou seja, melhorar a logística em África irá trazer benefícios financeiros ao continente. No entanto, para que isso aconteça, o Banco Mundial considera que tem de existir um grande esforço por parte dos países.

Para as empresas portuguesas que já estejam presentes no continente africano, a implementação deste acordo pode assim ser uma boa oportunidade para entrar em novos mercados africanos, replicando as suas boas experiências.

Logística em África: os grandes desafios

Portugal encontra-se numa situação privilegiada para tirar partido das oportunidades de negócio em África, que surjam na sequência da recuperação das economias. Afinal, laços históricos levam Portugal e as suas empresas a terem uma forte relação com o continente africano. Nomeadamente, com os países africanos de língua oficial portuguesa, como é o caso de Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde ou Guiné-Bissau. Seja através de investimento direto em África, ou das exportações, há aspetos que as empresas devem ter em conta antes de darem início à internacionalização.

África não é toda igual

É fundamental conhecer profundamente o mercado onde se pretende investir. Existem países em fases muito diferentes de desenvolvimento, com sistemas políticos mais ou menos estáveis, com regras internas muito próprias e com diversos níveis de abertura ao investimento estrangeiro.

Por exemplo, os constrangimentos que um empresário enfrenta ao entrar no mercado sul-africano (a segunda maior economia africana e uma das mais dinâmicas da região, dotada de uma boa rede de infraestruturas) não serão iguais aos riscos associados ao investimento no Sudão do Sul – um dos países onde é menos fácil fazer negócios, de acordo com o ranking Doing Business do Banco Mundial.

A rede de infraestruturas é deficitária

No que diz respeito à logística em África, este é um dos maiores desafios e entraves que os empresários têm de enfrentar. Isto porque falta uma rede de infraestruturas no continente que permita facilitar a circulação de bens. É por isso que os custos de transporte e logística são, por vezes, elevados.

Ainda no campo da logística em África, nota para o facto de a Argélia, Angola, República Democrática do Congo, Egito, Gana, Quénia, Moçambique, Nigéria, África do Sul e Tanzânia serem alguns dos países mais relevantes. Além disso, é aqui que se encontram vários dos mais importantes portos do continente. Esta questão é importante, uma vez que 90% do comércio africano é realizado por mar.

Enquadramento regulatório difícil

De uma forma geral, outro aspeto que será necessário melhorar em África é o ecossistema legal e regulatório. Este é, afinal, muitas vezes complexo, burocrático e pouco favorável aos negócios.

Outros riscos que afetam o clima de investimento

O risco político associado à região e a falta de transparência dos sistemas financeiros são exemplos de outros fatores que afetam o clima de investimento e que podem constituir um entrave aos investimentos privados.


Assim, se está interessado em explorar as oportunidades de negócio que estão a surgir neste continente e quer conhecer melhor a logística em África, contacte-nos. Afinal, a Rangel conta com uma forte presença no continente africano, nomeadamente em África do Sul, Angola, Moçambique e Cabo Verde, e apresenta-lhe as melhores soluções logísticas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Banco Mundial, The Continental Free Trade Area. Acedido a 15 de março de 2021.
https://www.worldbank.org/en/topic/trade/publication/the-african-continental-free-trade-area#findings
ANGOP, “Zona de Livre Comércio Continente Africana entra em vigor”. Acedido a 15 de março de 2021.
https://www.angop.ao/noticias/africa/zona-de-livre-comercio-continental-africana-entra-em-vigor/
Revista Indústria, CIP, “Investir em África”. Acedido a 15 de março de 2021.
https://cip.org.pt/wp-content/uploads/2019/04/IND_119_LR.pdf
Doing Business 2020, Banco Mundial. Acedido a 15 de março de 2021.
http://documents1.worldbank.org/curated/en/688761571934946384/pdf/Doing-Business-2020-Comparing-Business-Regulation-in-190-Economies.pdf

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