Importar da Índia: aspetos essenciais a ter em conta

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Em 2001, o Goldman Sachs incluiu a Índia no grupo das economias emergentes com maior potencial: os BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China. 20 anos após ter sido cunhada a expressão, a Índia continua a demonstrar um elevado potencial de desenvolvimento. É, afinal, o país com a segunda maior população mundial (um total de 1.380 milhões de habitantes) e ocupa a 6.ª posição no ranking das maiores economias do mundo. A dimensão e a diversificação desta economia torna-a apetecível por empresas de todo o mundo, interessadas em exportar ou importar da Índia. Na verdade, entre 2011 e 2019, o produto interno bruto deste país cresceu 6,4% em média por ano.

E nem mesmo a pandemia parece ter afastado o interesse do tecido empresarial mundial deste mercado. Embora tenha sido severamente afetado pela crise sanitária e da sua economia ter contraído 8%, as previsões para este ano são mais otimistas. De acordo com o Economist Intelligence Unit, a Índia poderá crescer 13% este ano, à boleia da recuperação do consumo privado e da formação bruta de capital fixo.

Há também quem esteja a olhar para este mercado com interesse crescente, como parceiro alternativo à China para a aquisição de mercadorias e assim conseguir evitar problemas futuros de rutura da cadeia de abastecimentos. Se está interessado em importar da Índia, conheça com mais detalhe este mercado e tome nota de algumas informações úteis.

Índia: um dos principais fornecedores de mercadorias de Portugal

Analisando as relações comerciais entre Portugal e a Índia, verificamos que o nosso país costuma importar da Índia um volume muito superior de bens comparativamente ao que exportamos. De acordo com os dados do INE, divulgados pelo portal da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), em 2020 importámos bens da Índia no valor de 632 milhões de euros, o que faz deste país o 15.º maior fornecedor de bens das empresas portuguesas.

Já as exportações para a Índia cifraram-se em 99 milhões de euros, o que atira este mercado para a 46.ª posição na lista dos países clientes dos produtos portugueses.

Mas afinal, o que importam as empresas portuguesas deste gigante asiático? No topo da lista aparecem os têxteis, seguidos pelos produtos químicos, os metais comuns, os plásticos e a borracha, e os produtos agrícolas. Sendo que no total existem mais de 1.700 empresas portuguesas (dados de 2017) que importam bens da Índia para a sua atividade. É mais do dobro das empresas portuguesas que exportam para aquele mercado.

O facto de o regime comercial e o ambiente legislativo da Índia ainda permanecerem relativamente restritivos constitui um entrave para que as empresas estrangeiras, incluindo as portuguesas, possam aproveitar todo o potencial de crescimento e desenvolvimento que a Índia está a registar.

Como a Índia está a posicionar-se para constituir uma alternativa à China nas cadeias de abastecimento globais

A pandemia está a mudar o paradigma de como se fazem os negócios e também nas cadeias de abastecimento estão a ser registadas profundas alterações. A crise sanitária e as medidas de confinamento decretadas pelos Governos conduziram à rutura das cadeias de abastecimento, deixando as empresas paralisadas, sem acesso às matérias-primas, nomeadamente, da China, o epicentro da Covid-19.

Esta situação obrigou as organizações a encontrarem soluções alternativas. Uma das lições que a atual crise ensinou é o risco elevado que as empresas incorrem por terem a sua cadeia de abastecimento assente numa única fonte. Por essa razão, muitas multinacionais estão agora a procurar realocar e diversificar as bases das suas supply chains. E neste contexto transformador, a Índia apresenta-se como uma escolha atrativa e natural.

Importar da Índia: aspetos a ter em conta

Este país apresenta um grande potencial. Além de ter um mercado doméstico gigantesco, possui mão de obra qualificada, com custos relativamente reduzidos e um forte domínio da língua inglesa, uma economia muito diversificada e com indicadores robustos, entre outros aspetos. No entanto, não está isento de barreiras que podem dificultar a vida às empresas que queiram importar da Índia. Segundo uma análise feita pela KPMG, os dois maiores entraves apontados são a elevada burocracia e uma rede de infraestruturas deficitária.

Assim, se está a ponderar importar da Índia, tome nota das seguintes informações:

  • No que diz respeito às trocas comerciais entre a Índia e a União Europeia (UE), não existem isenções ou reduções das taxas de direitos aduaneiros. Vigora entre as partes o tratamento da nação mais favorecida, de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio.
  • O transporte marítimo é a via privilegiada: com cerca de 95% do comércio (em volume) da Índia e 70% em valor a ser transportado por vias marítimas.
  • Os tempos de trânsito das mercadorias são elevados, podendo superar os 50 dias.
  • É importante saber de antemão a partir de qual Estado da Índia os bens serão expedidos, já que existe um imposto que é cobrado quando as mercadorias são deslocadas de um Estado para outro.
  • Escolha um parceiro logístico de confiança e com experiência comprovada, que o ajude a navegar no ambiente burocrático e o apoie na expedição dos bens a partir da Índia.

Novidades à vista nas relações comerciais entre a Índia e a União Europeia?

Como já foi referido, não existe até ao momento um Acordo de Comércio Livre entre a UE e a Índia. Em 2007, iniciaram-se negociações nesse sentido, mas foram suspensas em 2013.

Ainda assim, recentemente e sob a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, foi realizada uma cimeira de líderes da UE e da Índia com o objetivo de abrir portas para futuros acordos comerciais e de investimento entre as duas regiões. Este foi um marco importante para desbloquear o impasse nas relações comerciais entre a UE e a Índia.

Se tem dúvidas sobre como importar da Índia, o grupo Rangel dispõe de um conjunto diversificado de serviços aduaneiros para o apoiar no processo de importação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
AICEP Portugal, Portugal Exporta -Índia. Acedido a 12 de julho de 2021.
https://myaicep.portugalexporta.com/mercados-internacionais/in/india?setorProduto=-1
KPMG, Global Supply Chain Reconfiguration – The India opportunity. Acedido a 12 de julho de 2021.
https://home.kpmg/in/en/home/insights/2020/10/global-supply-chain-reconfiguration.html
Upply, India: A promising option in light of the “China Plus One” Strategy. Acedido a 12 de julho de 2021.
https://market-insights.upply.com/en/india-a-promising-option-in-light-of-the-china-plus-one-strategy

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