Importância do Canal do Suez no Comércio Internacional

Importância do Canal do Suez no Comércio Internacional

Se houvesse alguma dúvida sobre a importância do Canal do Suez, os dados seriam suficientemente esclarecedores: mais de 10% do comércio mundial percorre os 193 quilómetros desta travessia que liga o Mediterrâneo ao mar Vermelho, unindo a Europa e a Ásia. Estima-se que o tráfego marítimo diário represente cerca de 9,6 mil milhões de dólares, de acordo com a Lloyd’s List, empresa especializada na área do comércio marítimo. Além disso, é uma das vias mais importantes do planeta no que diz respeito ao transporte de gás e de petróleo.

A importância do Canal do Suez em números:

  • 12% do comércio mundial;
  • +50 embarcações navegam diariamente no canal;
  • 18.829 navios atravessaram o canal egípcio em 2020;
  • 1,2 mil milhões de toneladas de carga são transportadas anualmente neste canal;
  • 1,9 milhões de barris de petróleo, aproximadamente, atravessam o Suez todos os dias.

Fonte: Autoridade do Canal do Suez e Lloyd’s List Intelligence

Mas nada como um acontecimento que faça parar o Canal do Suez para perceber a sua importância e o seu impacto no comércio mundial. Foi o que aconteceu no dia 23 de março de 2021, quando o porta-contentores Ever Given fazia a travessia do canal e ficou encalhado, bloqueando todo o tráfego.

O bloqueio do Canal do Suez

A notícia correu mundo. Comparado ao Empire State Building, um dos edifícios mais emblemáticos de Nova Iorque, o navio Ever Given tem características de um gigante: 400 metros de comprimento e 59 metros de largura, com capacidade para transportar 20 mil contentores e, na altura, carregando 200 mil toneladas.

Pois bem, por circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas, este navio construído em 2018, detido pela japonesa Shoei Kisen e operado pela taiwanesa Evergreen Marine, ficou encalhado no canal, desencadeando uma operação também ela gigantesca para colocar esta embarcação de novo a flutuar e desobstruir o canal.

Quase uma semana de trabalhos e de tráfego bloqueado tiveram consequências que chegaram aos mercados financeiros, nomeadamente no preço do barril de petróleo, mas que se fizeram sentir de uma forma imediata e visível nas centenas de embarcações que se foram acumulando. No total, 372 embarcações ficaram ancoradas à espera da reabertura do Canal do Suez nas duas entradas, de acordo com a Lloyd’s List.

Embarcações que aguardaram pela reabertura do Canal do Suez:

  • 180 navios graneleiros
  • 24 petroleiros (crude)
  • 98 porta-contentores
  • 29 navios de transporte GNL ou GPL
  • 17 petroleiros (produtos derivados)
  • 11 navios de carga para transporte de veículos
  • 13 outros

Fonte: Lloyd’s List Intelligence

Impacto no comércio internacional

Ainda olhando apenas para as embarcações que ficaram a aguardar, um assessor do presidente do Egito para o Canal do Suez, citado pelo Jornal de Negócios, admitiu que poderia demorar uma semana até que todos os navios atualmente parados conseguissem atravessar o Canal. O impacto foi de tal ordem que as melhores previsões apontam para um mês ou mais para resolver o congestionamento criado com esta paragem, com todas as implicações que isso tem para quem manda, recebe ou transporta carga.

“É problemático. Os portos da Europa já estavam sob pressão por causa da Covid”, disse Max Wei, responsável de negócios internacionais na Speedaf Logistics, citado também pelo Jornal de Negócios. E acrescentou: “Agora, recebem um volume de oferta três a quatro vezes maior de uma só vez. Além disso, a situação epidémica na Europa não está a melhorar”.

As consequências fizeram-se sentir desde logo nas taxas cobradas pelas empresas de transporte marítimo que operam entre a Ásia e a Europa. No caso do transporte de petróleo, por exemplo, as taxas chegaram a registar aumentos de 70% durante os dias em que o Ever Given esteve encalhado e a interromper o tráfego.

Assim sendo, para muitas empresas de transporte marítimo a fazer a ligação entre a Europa e a Ásia, a solução foi mudar de rota, o que trouxe custos acrescidos, nomeadamente valores avultados em combustível. Tudo isto porque o percurso alternativo, contornando o continente africando e passando pelo Cabo da Boa Esperança, representa entre sete a 10 dias a mais de viagem.

Materializando-se os possíveis riscos que podem ocorrer no transporte de carga, o bloqueio do Canal do Suez teve ainda repercussão na área dos seguros, com reflexo nos pedidos de indemnização que envolvem não só os atrasos nas entregas, mas também possíveis danos à carga.

A história do Canal do Suez

A ligação mais curta entre o leste e o oeste, o Canal do Suez é uma via navegável construída pelo Homem, situando-se no Egito. Considerado o primeiro canal artificial a ser utilizado nos trajetos marítimos comerciais e de viagens, foi inaugurado na segunda metade do século XIX e constitui uma das rotas intercontinentais mais utilizadas, sobretudo por navios de grande porte.

A ideia de contar com uma via marítima neste local remonta ao tempo dos Faraós, que chegaram a construir o primeiro canal artificial entre o rio Nilo e o mar Vermelho. No entanto, só no século XIX é que se começaram a reunir as condições para erguer o atual Canal do Suez.

Um grupo de intelectuais franceses, conhecidos como Saint-Simoniens, estiveram no Cairo e fomentaram a ideia, embora, na altura, ainda se considerasse que havia um problema para resolver: a diferença entre o nível de um mar e de outro. Uma epidemia adiou os planos, mas a semente ficou.

Anos mais tarde, em 1854, o visconde Ferdinand Marie de Lesseps, um diplomata e engenheiro francês, convenceu o vice-rei egípcio Said Pasha dos méritos do projeto e, quatro anos depois, é assim criada a Companhia Universal do Canal Marítimo de Suez para construir o empreendimento e assegurar a respetiva gestão durante 99 anos.

Dada a dimensão do projeto em causa, o estudo inicial estimava que seria necessário mover um total de 2.613 milhões de pés cúbicos de solo, incluindo 600 milhões de terra, assim como 2.013 milhões de água. A estimativa de custo total original era de 200 milhões de francos.

Marcos históricos do Canal do Suez

1869 – Inauguração do Canal do Suez a 17 de novembro.
1956 – O Egito nacionalizou o canal no dia 26 de julho, passando a ser gerido desde então pela Autoridade do Canal do Suez. No mesmo ano, Israel, Grã-Bretanha e França invadiram o país com o objetivo de tentar controlar o canal que acabava de ser nacionalizado. Esta ação levou, assim, ao encerramento deste por alguns meses, reabrindo em 1957.
1975 – Depois de um encerramento de oito anos, motivado pela guerra entre o Egito e Israel, foi reaberto em 5 de junho de 1975.
2015 – O Canal do Suez foi alvo de uma renovação profunda, de custos avultados.
2017 – Num dos mais recentes incidentes, um porta-contentores japonês ficou bloqueado no canal após sofrer um problema mecânico. Contudo, na altura, a situação ficou resolvida em algumas horas.
2021 – O porta-contentores Ever Given ficou encalhado no Canal do Suez durante seis dias, acabando por ter um enorme impacto no comércio internacional.

A acompanhar os acontecimentos, as equipas da Rangel trabalham ao lado dos seus clientes para encontrar as melhores soluções logísticas de transporte marítimo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Autoridade do Canal do Suez. Acedido a 29 de março de 2021.
https://www.suezcanal.gov.eg/English/Pages/default.aspx
El País, Encalhe do navio no canal de Suez provoca prejuízos milionários e queixas no Egito. Acedido a 29 de março de 2021.
https://brasil.elpais.com/economia/2021-03-26/acoes-milionarias-e-queixas-no-egito-o-alto-custo-do-encalhe-do-navio-no-canal-de-suez.html
Jornal de Negócios, Navio encalhado já está a flutuar no Canal do Suez. Acedido a 29 de março de 2021.
https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/transportes/detalhe/navio-encalhado-ja-esta-a-flutuar-no-canal-do-suez
Jornal de Negócios, Suez pode congestionar portos durante mais de um mês. Acedido a 29 de março de 2021.
https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/transportes/detalhe/suez-pode-congestionar-portos-durante-mais-de-um-mes
Lloyd’s List, Ever Given partially refloated raising hopes of Suez Canal reopening. Acedido a 29 de março de 2021.
https://lloydslist.maritimeintelligence.informa.com/LL1136281/Ever-Given-partially-refloated-raising-hopes-of-Suez-Canal-reopening
Lloyd’s List, Suez Canal remains blocked despite efforts to refloat grounded Ever Given. Acedido a 29 de março de 2021.
https://lloydslist.maritimeintelligence.informa.com/LL1136229/Suez-Canal-remains-blocked-despite-efforts-to-refloat-grounded-Ever-Given

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