Exportar para a Zâmbia: oportunidades de mercado

Exportar para a Zâmbia: Oportunidades de mercado 1

Para muitas empresas, a Zâmbia não é um mercado óbvio ou prioritário para investir. Na verdade, este país da África Austral ocupa a 112.ª posição no ranking das maiores economias do mundo, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). À semelhança de outros estados, a Zâmbia foi também impactada negativamente pela pandemia. Mas apesar de algumas fragilidades, trata-se de um mercado com grande potencial, sendo um dos maiores produtores de cobre do mundo. Exportar para a Zâmbia pode, assim, ser uma opção para muitas empresas no futuro. Conheça as oportunidades e os desafios desta economia.

Radiografia breve à economia da Zâmbia

A Zâmbia faz fronteira com oito países: Angola, República Democrática do Congo, Tanzânia, Malawi, Moçambique, Zimbabué, Botsuana e Namíbia. Embora a sua localização geográfica seja um fator condicionante (não tem ligação ao mar), constitui também um driver de desenvolvimento. Afinal, a sua posição no coração da África Austral e a sua proximidade a algumas das mais relevantes economias africanas tornam este país num player logístico importante para as empresas com interesses nesta região tão dinâmica.

Rica em recursos naturais, a Zâmbia tem a sua economia alicerçada, em grande parte, na produção e extração de cobre, sendo o segundo maior produtor africano de cobre e o oitavo a nível mundial.  A agricultura tem também um peso relevante: três quartos da população trabalham neste setor, que contribui com cerca de 19% para o produto interno bruto (PIB).

O país, com um histórico de clima político democrático e pacífico, tem uma população de cerca de 20 milhões de pessoas e um produto interno bruto de 21,7 mil milhões de dólares, segundo estimativas do FMI em 2021 (2). Entre 2000 e 2014, assistiu a um crescimento económico fulgurante de 6,8% (em termos de média anual). Contudo, com a queda dos preços do cobre e a diminuição da produção agrícola, o ritmo abrandou: entre 2015 e 2019, o PIB cresceu a taxa média de 3,1% ao ano.

A pandemia acabaria por exercer um impacto negativo, com o PIB a registar uma contração de 3% em 2020 e o país a entrar numa situação de default. A Zâmbia tornou-se, assim, na primeira economia africana a deixar de ter capacidade para pagar os compromissos financeiros junto dos seus credores – nomeadamente, a China (4). Além disso, também a inflação disparou neste período. No final do ano passado, o governo da Zâmbia acordou com o FMI as condições para um resgate de 1,4 mil milhões de dólares, visando que o país empreenda “reformas económicas ousadas e ambiciosas”.

Apesar da contração em 2020, a economia zambiana iniciou rapidamente o caminho da recuperação e o Banco Mundial prevê que o PIB cresça 2,9% este ano e 4,5% em 2023.

Exportar para a Zâmbia: quais são os principais parceiros comerciais?

No top 5 dos principais parceiros da Zâmbia estão a Suíça, a China, a África do Sul, a República do Congo e Singapura. A União Europeia, como bloco económico, também figura no ranking das regiões com quem a Zâmbia tem relações comerciais. No entanto, os volumes em causa são muito reduzidos. De acordo com os dados da Comissão Europeia, em 2020, as trocas comerciais (importações e exportações) entre a UE e a Zâmbia cifraram-se nos 519 milhões de euros.

Analisando à lupa as relações comerciais entre este país da África Austral e Portugal, as trocas têm vindo a diminuir desde 2017. Segundo as estatísticas de comércio bilateral, o nosso país tem um peso de apenas 0,03% do total de importações da Zâmbia.

Em 2020, Portugal comprou a este país mercadorias no valor de 390 mil euros e exportou bens para este mercado africano no montante de 704 mil euros. Os valores colocam a Zâmbia como 144.º parceiro de Portugal nas importações e na 177.ª posição no campo das exportações. Há, pois, uma grande margem para crescimento tanto para quem quer exportar para a Zâmbia, como para quem quer importar.

 

Seis setores, seis oportunidades de investimento na Zâmbia

Apesar de algumas fragilidades que o país evidencia – endividamento excessivo, défice orçamental alto, níveis de pobreza relevantes, dependência excessiva da economia da produção de cobre, entre outros –, a Zâmbia é um mercado que apresenta múltiplas oportunidades, que vão além dos setores tradicionais.

Antes de tudo, recorde-se que este país é membro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e também do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA). Dessa forma, a Zâmbia é vista como uma importante porta de acesso a estas duas zonas de comércio livre.

De acordo com o Guia de Negócios, publicado pela International Trade Administration dos Estados Unidos (ITA), existem diversas oportunidades no desenvolvimento económico da Zâmbia em seis setores de atividade:

Agricultura

Solos férteis e um clima temperado são fatores que colocam a Zâmbia numa posição privilegiada para se transformar no celeiro para abastecer toda a África. Para isso, é fundamental o desenvolvimento de uma maior automação e mecanização dos processos, bem como acesso a fertilizantes. A ITA identifica, igualmente, algumas oportunidades no que diz respeito à cadeia de frio e ao processamento de alimentos para grandes mercados regionais, como a República Democrática do Congo.

Energia

O fornecimento de energia é um fator crítico neste mercado. Com o crescimento da procura por eletricidade, surgem também oportunidades de investimento na geração de eletricidade, principalmente no mercado off-grid e nas energias renováveis.

Mineiro

Além da sua posição relevante na produção e exportação de cobre, a Zâmbia dedica-se ainda à exploração de outros metais preciosos (como o ouro ou a prata), de pedras preciosas (como as esmeraldas e ametistas), bem como de carvão e outros minerais industriais. “Existe um enorme potencial para as indústrias de extração”, confirma a ITA. Mas não só: também todas as atividades relacionadas com este universo – como a gestão de águas, a engenharia e construção ou os serviços ambientais – poderão beneficiar de um maior desenvolvimento e expansão deste setor.

Infraestruturas

A procura do setor privado por habitação e espaços de escritório deverá continuar a impulsionar o setor da construção na Zâmbia. Esta tendência será ainda sustentada com o aumento da procura de infraestruturas no setor mineiro, energia e tecnologias de informação.

 Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)

O anterior Executivo deu passos para liberalizar e reformar o setor TIC. Além disso, à “boleia” das empresas de retalho e financeiras presentes no país, o mercado digital da Zâmbia tem vindo a florescer, criando oportunidades no fornecimento de fibra, no desenvolvimento da rede móvel, na disponibilidade de serviços de Internet e no desenvolvimento de parques industriais focados na área das tecnologias de informação.

Turismo

Com uma grande riqueza natural e de biodiversidade, a Zâmbia conta com 20 parques nacionais e uma grande variedade de reservas de caça que ocupam uma parte substancial do seu território. Um dos seus ex libris são as Cascatas Vitória – uma das sete maravilhas naturais do mundo. É esperado que os níveis de visitantes aumentem após a pandemia, prevendo-se uma escassez de hotéis e de outros serviços associados às operações turísticas.

Se está interessado em exportar para a Zâmbia ou explorar  as oportunidades de negócio num outro mercado da África Austral, contacte-nos. A Rangel conta desde 2021 com um escritório em Lusaka, a capital da Zâmbia, através do qual oferece um leque de serviços completos de logística e transporte. O grupo tem ainda uma forte presença em outros pontos do continente africano, nomeadamente em África do Sul, Moçambique, Angola e Cabo Verde.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Statista, “Major countries in copper mine production worldwide in 2020”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022.
https://www.statista.com/statistics/264626/copper-production-by-country/
Fundo Monetário Internacional, “Zâmbia”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022.
https://www.imf.org/en/Countries/ZMB
Banco Mundial, “Zambia-Overview”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022.
https://www.worldbank.org/en/country/zambia/overview#1
Jornal de Negócios, “S&P: Zâmbia torna-se o primeiro país africano em ‘default’ devido à pandemia”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022.
https://www.jornaldenegocios.pt/mercados/obrigacoes/detalhe/sp-zambia-torna-se-o-primeiro-pais-africano-em-default-devido-a-pandemia
Banco Mundial, “Global Economic Prospects – January 2022”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022.
https://openknowledge.worldbank.org/bitstream/handle/10986/36519/9781464817601.pdf
Comissão Europeia, “European Union, Trade in Goods with Zambia”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022. https://webgate.ec.europa.eu/isdb_results/factsheets/country/details_zambia_en.pdf
Gabinete de Estratégia e Estudos, “Comércio Internacional Portugal-Zâmbia”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022.
https://www.gee.gov.pt/pt/docs/doc-o-gee-2/estatisticas-de-comercio-bilateral/zambia/1786-comercio-internacional-de-portugal-com-zambia/file
Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, “Newsletter – Zâmbia: riscos e oportunidades”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022.
https://www.ccip.pt/pt/newsletter-internacional/1246-zambia-riscos-e-oportunidades
International Trade Administration, “Zambia – Country Commercial Guide”. Acedido a 11 de fevereiro de 2022.
https://www.trade.gov/country-commercial-guides/zambia-market-opportunities

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