Exportar para a Alemanha: as principais oportunidades

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Quando se fala da Alemanha, quase que poderíamos dispensar as apresentações. Afinal, este país é a maior economia dentro da União Europeia e ocupa também um lugar de referência no top 5 das maiores economias do mundo. Com um mercado de 82,8 milhões de consumidores, um produto interno bruto (PIB) em 2020 de 3,3 biliões de euros e uma economia dinâmica e inovadora, a Alemanha é um mercado apetecível por empresas de todo o mundo. Portugal não é exceção e são muitas as empresas a querer exportar para a Alemanha. Conheça com mais detalhe o modo de funcionamento do mercado alemão.

Portugal e Alemanha: uma relação comercial próxima

Em termos de ambiente de negócios, a Alemanha é um país com as características ideais. De acordo com o ranking Doing Business de 2020, do Banco Mundial, a Alemanha ocupa a 22.ª posição num conjunto de 190 países, numa tabela que avalia as economias em que é mais fácil fazer negócios. Assume ainda o 9.º lugar na lista dos países mais transparentes, segundo o Corruption Perceptions Index, e é também um dos mais competitivos do mundo.

No que diz respeito às relações comerciais entre Portugal e Alemanha, os dados do INE, relativos ao ano de 2020, mostram que este mercado foi o terceiro principal destino das exportações portuguesas, com um volume superior a 6,3 mil milhões de euros. Sendo, por isso, um dos principais parceiros comerciais de Portugal.

Naturalmente, com a pandemia, as exportações portuguesas para este mercado ressentiram-se, tendo contraído cerca de 11% comparativamente a 2019. Já no que se refere às importações da Alemanha para Portugal, aquele mercado ocupa a segunda posição, com um volume em 2020 superior a 9 mil milhões de euros. Contas feitas, significa que a balança comercial de bens entre Portugal e a Alemanha foi desfavorável ao nosso país, tendo apresentado um défice de 2,67 mil milhões de euros no ano passado.

Entre os principais bens que as empresas portuguesas mais exportam para a Alemanha, destacam-se os seguintes:

  • Máquinas e Aparelhos (29,8%);
  • Veículos e Outro Material de Transporte (19,1%);
  • Instrumentos de Ótica e Precisão (9,3%);
  • Plásticos e Borracha (6,4%);
  • Produtos Químicos (5,7%).

Principais riscos e oportunidades do mercado alemão

À semelhança da generalidade das economias do mundo inteiro, a economia alemã ressentiu-se no ano passado com os efeitos da pandemia. O PIB alemão caiu 5,3% em 2020. Ainda assim, as perspetivas para este ano são mais animadoras, à medida que a campanha de vacinação segue a grande velocidade e as medidas de confinamento são levantadas.

Desse modo, na sequência das expectativas mais otimistas, o banco central alemão reviu recentemente em alta as suas projeções de crescimento para a economia alemã: o PIB deverá acelerar 3,7% em 2021 e 5,2% em 2022. São boas notícias para a Alemanha, mas também para os principais países fornecedores de bens e serviços daquele país.

A puxar pelo crescimento do gigante alemão está ainda o pacote de ajuda à economia que, no total, atinge os 1.135 mil milhões de euros. Apesar destes bons indicadores, permanecem algumas incertezas, mesmo no plano político com o aproximar das eleições, marcadas para setembro.

Neste contexto otimista, mas ainda pautado por um clima de incerteza, quais são então as grandes oportunidades que emergem para as empresas portuguesas interessadas em exportar para a Alemanha?

De acordo com análise da AICEP Portugal, “recomenda-se uma abordagem estratégica, estruturada e persistente do mercado alemão, que comporta mais oportunidades do que riscos”. Entre as principais oportunidades, no atual contexto de pandemia, destacam-se as seguintes:

  • Existe um aumento da procura de produtos europeus no contexto da consolidação das cadeias de fornecimento dos grandes grupos industriais alemães. As empresas portuguesas podem, assim, beneficiar deste movimento.
  • Alguns setores na Alemanha demonstram ter uma maior resiliência à crise. Por exemplo, os setores dos consumíveis e equipamentos hospitalares, da indústria química e farmacêutica, das energias renováveis e da mobilidade.

Dados também corroborados pela Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP): “O país tem apostado em áreas consideradas estratégicas e prioritárias como o clima, a sustentabilidade ambiental, a saúde, a nutrição, a mobilidade, a segurança e a comunicação. Um conjunto de setores com capacidade de resposta em termos de produção e exportação por parte de muitas empresas portuguesas, que aqui poderão encontrar oportunidades de negócio a explorar”, sublinhava a instituição numa comunicação em 2019.

  • Mais do que exportar produtos ou serviços isoladamente, será proveitoso a adoção de uma estratégia de exportação focada antes em módulos ou soluções integradas.

Exportar para a Alemanha: informações úteis

Se está a pensar em começar a exportar para a Alemanha, tome nota de alguns aspetos úteis que poderão ajudá-lo a ter sucesso na abordagem a este mercado.

Direitos aduaneiros

Sendo a Alemanha um dos países que integra a União Europeia, significa que faz parte do mercado único, onde existe a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas no território comunitário. Desse modo, não são aplicados direitos aduaneiros nas trocas comerciais intracomunitárias.

Impostos

No que diz respeito ao IVA, a Alemanha decidiu manter até dezembro de 2022 a redução do IVA na restauração. Nota ainda para o facto de determinados produtos estarem sujeitos a Impostos Especiais de Consumo, com taxas variáveis, como é o caso das bebidas alcoólicas, do tabaco, entre outros.

Feiras

Para as empresas que estão a equacionar exportar para a Alemanha, as feiras são uma das principais ferramentas que os empresários têm ao seu dispor para explorar melhor o mercado e travar conhecimento com potenciais parceiros. Devido à pandemia, as feiras comerciais presenciais não estão a ser realizadas, mas prevê-se que a partir de setembro este tipo de eventos possa regressar.

Agente de distribuição

Para garantir uma melhor implantação dos produtos da sua empresa no mercado alemão, é recomendável encontrar um agente ou distribuidor local, com as condições necessárias para distribuir os seus produtos.

Trabalho de casa

Sendo este um mercado fortemente competitivo, é fundamental fazer um trabalho prévio de preparação para garantir o sucesso da abordagem e da possibilidade de exportar para a Alemanha. Por exemplo, quando contactar os agentes alemães, já deverá ter preparado uma brochura em alemão.

Dessa forma, e como já foi mencionado, este é um mercado altamente concorrencial. Por isso, a solução para as empresas portuguesas que o querem explorar tem de passar necessariamente pela aposta na diferenciação comparativamente a outras empresas que estão logística e culturalmente mais próximas.

Se tem dúvidas, o grupo Rangel dispõe de um conjunto diversificado de serviços aduaneiros e de transporte para o apoiar neste processo de exportação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
AICEP Portugal, “Portugal Exporta – Alemanha”. Acedido a 14 de junho de 2021.
https://myaicep.portugalexporta.com/mercados-internacionais/de/alemanha?setorProduto=-1
AICEP Portugal, “AICEP- Covid-19”. Acedido a 14 de junho de 2021.
https://www.covid19aicep.pt/mercados/alemanha/
AICEP Portugal, “Alemanha- Guia Prático de Acesso ao Mercado”. Acedido a 14 de junho de 2021.
https://www.portugalglobal.pt/PT/Biblioteca/LivrariaDigital/AlemanhaGPAM.pdf
Câmara de Comércio e Indústria Portugal, “Espanha, França, Alemanha e Reino Unido – Oportunidades e Desafios”. Acedido a 14 de junho de 2021.
https://www.ccip.pt/pt/newsletter-internacional/1715-espanha-franca-alemanha-e-reino-unido-entre-oportunidades-e-desafios

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