Rangel Talks: Rui Baptista, Logistics Business Manager da Volkswagen Autoeuropa

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A Volkswagen Autoeuropa trabalha desde 2010 com o objetivo sistemático de redução de emissões de CO2.  Mais recentemente, este esforço encontra-se inserido no programa corporativo “Go to Zero”, que visa contribuir para a descarbonização das atividades do Grupo Volkswagen até 2050.

RUI BAPTISTA

A digitalização de todo o processo logístico é um dos grandes desafios que Rui Baptista, Logistics Business Manager da Volkswagen Autoeuropa, identifica na indústria automóvel. A este, junta-se a transformação e aceleração dos vários tipos de transporte para uma mobilidade sustentável – aos quais a Volkswagen Autoeuropa já se está a adaptar. Tudo isto sem esquecer a urgência de dar resposta à “imprevisibilidade e disrupção das cadeias logísticas” geradas pela Covid-19. A trabalhar lado a lado naquele que é o maior investimento estrangeiro em Portugal, a Rangel ajuda, assim, a dar resposta a estes desafios numa colaboração que se iniciou há cerca de dois anos e que é encarada por Rui Baptista como uma “relação de parceria, que está numa fase de crescimento.

Quais os atuais desafios logísticos para a indústria automóvel?

Sem dúvida, os fatores de imprevisibilidade e disrupção das cadeias logísticas, que são encabeçados, naturalmente, pelos efeitos adversos da pandemia de Covid-19. O seu impacto repercutiu-se não só nos obstáculos à mobilidade dos serviços de carga, mas também na alteração de comportamentos do cliente final. É, por exemplo, o caso do súbito aumento do consumo de equipamentos como telemóveis, consolas de jogos ou computadores, o que provocou uma escassez generalizada de semicondutores.

Numa perspetiva mais estrutural, saliento então a digitalização total de todo o processo logístico e a transformação e aceleração dos transportes marítimos, rodoviários e ferroviários para uma mobilidade mais sustentável.

O que mudou nos processos logísticos da Volkswagen Autoeuropa com a pandemia e que se irão manter para o futuro?

Com a implementação do teletrabalho, na Volkswagen Autoeuropa, as equipas de analistas de série e pré-series, que até então estavam sempre na fábrica, passaram a trabalhar de forma remota a partir das suas casas.

Neste sentido, foram muito importantes a implementação do Skype como ferramenta para as reuniões, a utilização do número de telefone fixo através do computador e a adaptação ao uso de auriculares. Além disso, esta situação obrigou a uma gestão mais próxima dos nossos fornecedores, para fazer face às quebras provocadas pela pandemia.

Por outro lado, foi necessário reorganizar o espaço de trabalho das equipas da Volkswagen Autoeuropa que continuaram em regime presencial, com o objetivo de assegurar o distanciamento social e a nossa proteção. Cuidamos uns dos outros.

O mercado está cada vez mais focado e atento às questões ambientais. De que forma a logística da Volkswagen Autoeuropa está a planear um futuro mais sustentável?

Independentemente das novas tendências do mercado, a Volkswagen Autoeuropa trabalha desde 2010 com o objetivo sistemático de redução de emissões de CO₂. Mais recentemente, este esforço encontra-se inserido no programa corporativo “Go to Zero”, que visa, assim, contribuir para a descarbonização das atividades do Grupo Volkswagen até 2050.

As três áreas principais da logística (Inbound, Inhouse e Outbound) têm, dessa forma, implementado ações concretas ao longo dos anos com o objetivo de reduzir a pegada ambiental da Volkswagen Autoeuropa.

Inbound – Transporte dos componentes dos fornecedores para a fábrica:

  • Foco principal na estratégia de transportes mais sustentáveis, por exemplo, a via marítima, que permite reduzir em 30% as emissões de CO₂ quando comparada com a rodovia;
  • Melhoria contínua da quantidade de peças por embalagem: mais peças por embalagem significa menos viagens;
  • Utilização de megatrailers (3 m de altura), permitindo, assim, transportar mais volume m³ por viagem;
  • Otimização da carga: só se transporta quando a carga atinge os 100%;
  • Localização dos fornecedores da Volkswagen Autoeuropa com maior volume de m³ próxima da fábrica;
  • Implementação do conceito Gigaliner – mais 35% de volume transportado, o que se traduz numa redução de 30% em emissões de CO₂;
  • Implementação de rotas a gás;
  • Alteração do transporte de componentes da China para a Alemanha, passando de via marítima para via-férrea, com ganhos em tempo e redução de emissões de CO₂;
  • Em fase de testes: implementação de chassis mais leves que permitam transportar mais carga, aproximadamente mais 1,5 toneladas;
  • Ainda em estudo: realização de rotas Gigaliner e Duo-Trailer na Península Ibérica;
  • Também em estudo: implementação do transporte de componentes da Alemanha para Portugal por ferrovia.

Inhouse – Gestão dos armazéns internos e manuseamento dos componentes para os respetivos pontos de uso:

  • Todos os equipamentos logísticos internos são elétricos;
  • 100% da energia elétrica consumida na fábrica da Volkswagen Autoeuropa é proveniente de energias renováveis;
  • Otimização dos fluxos internos, entre armazém e ponto de uso dos componentes;
  • Aumento da quantidade de componentes por transporte de sequência, que significará uma redução dos fluxos internos;
  • Diminuição da quantidade de material de proteção dos componentes, tais como plásticos, cartão e esponjas. Desse modo, o ano de 2020, foram reduzidas 22 toneladas;
  • Implementação de camiões a gás natural nas rotas internas das embalagens vazias, uma parceria da Volkswagen Autoeuropa com a Rangel;
  • Gestão da integridade do stock em armazém realizada com recurso a um drone, otimizando tempo e recursos energéticos. Projeto realizado pela Volkswagen Autoeuropa em conjunto com a equipa da Rangel.

Outbound – Expedição dos veículos produzidos:

  • Em 2019, a Volkswagen Autoeuropa reativou o transporte dos veículos por ferrovia da fábrica para o porto de Setúbal;
  • Em 2020, duplicámos a quantidade de veículos transportados por ferrovia para o porto de Setúbal;
  • Redução das emissões de CO2 em 80% dos veículos transportados para o porto de Setúbal, ferrovia vs rodovia;
  • Transporte de veículos por via marítima com uma rota que utiliza restos alimentares como combustível (por exemplo, óleo alimentar usado nos restaurantes), com uma redução de 85% nas emissões de CO₂;
  • Em teste, o transporte de veículos por via marítima com navios a gás natural.

Qual a sua visão acerca da inovação tecnológica na indústria automóvel? Como acredita que esteja daqui a 10 anos?

A indústria automóvel é reconhecida pela inovação que coloca à disposição de cada um de nós. A evolução ao longo dos anos tem sido certamente extraordinária. Na próxima década, será de transformação total com a passagem dos motores de combustão interna para os carros elétricos com condução autónoma de nível 5. Estamos inegavelmente num processo de aceleração desta transformação. A digitalização e a atualização de software OTA (on the air) são, ao dia de hoje, um ponto sem retorno.

A parceria da Volkswagen Autoeuropa com a Rangel iniciou-se em agosto de 2019, assegurando uma operação complexa e de grande dimensão que conta com cerca de 750 colaboradores, distribuídos por 19 turnos semanais. Como classifica esta parceria?

Desde o primeiro dia, sentimos que tem sido uma parceria e não a prestação de um serviço.

Estamos a caminho de completar o segundo ano de parceria e temos ainda muitos desafios para vencer, mas estamos confiantes que os alcançaremos em equipa.

O trabalho desenvolvido em equipa, assim como a integração de perspetivas diferentes, tem-se revelado a receita do sucesso para esta relação de parceria, que está numa fase de crescimento.

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