O que esperar da economia em 2026? Uma análise das tendências globais 19 de Dezembro, 2025 Rangel Logistics Solutions Internacional A economia em 2026 deverá registar um crescimento global moderado, condicionado por políticas protecionistas, pela inflação em abrandamento e pelas tensões comerciais entre os principais blocos. O cenário continuará, sem dúvida, a pautar-se por uma elevada volatilidade. No entanto, aponta para um processo de gradual estabilização. Índice O que irá, então, acontecer à economia mundial? Um breve retrato O que esperar do crescimento do PIB em 2026? O que pesa na inflação em 2026? Quais são as projeções para o comércio global em 2026? Como se vão comportar os principais blocos económicos? Sinais de arrefecimento nos EUA China desacelera crescimento União Europeia demonstra resiliência Recuperação gradual da economia portuguesa Como reforçar a competitividade em 2026? Múltiplos fatores estruturais continuam a pressionar o ambiente macroeconómico: condições de financiamento mais restritivas, deterioração da confiança empresarial e um contexto geopolítico marcado por conflitos persistentes. Assim sendo, a economia em 2026 deverá manter-se vulnerável, com riscos cumulativos que podem limitar o investimento produtivo e adiar uma recuperação sustentada do crescimento internacional. O que irá, então, acontecer à economia mundial? Um breve retrato A economia em 2026 enfrentará, pois, um panorama marcado por uma desaceleração moderada, após o impulso temporário observado no início de 2025. De acordo com o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento económico global manter-se-á abaixo do potencial. Trata-se, acima de tudo, de um reflexo do impacto acumulado das novas barreiras comerciais e de condições financeiras mais limitadas. As tarifas impostas pelos Estados Unidos da América (EUA) — um dos principais condicionantes para a economia em 2026 — já começaram a afetar de forma mais visível as dinâmicas comerciais internacionais. A nova administração norte-americana, empossada em janeiro de 2025, reforçou a política de protecionismo económico, aplicando taxas sobre bens estratégicos e sobre produtos de países específicos. O que dizem os nossos especialistas? As Tarifas de Trump[1] Ainda que alguns acordos bilaterais tenham mitigado parte desses efeitos, o quadro global revela sinais inequívocos de fragmentação e de perda de dinamismo. Aliás, segundo o relatório “Finding the Right Balance in Uncertain Times”, da OCDE (setembro de 2025), os efeitos completos destas medidas “ainda não se fizeram sentir”. Não obstante, já se tornam evidentes nas decisões de consumo, nos mercados de trabalho e nos preços ao consumidor. O que esperar do crescimento do PIB em 2026? As projeções de crescimento do PIB global em 2026 indicam uma desaceleração gradual, refletindo os efeitos acumulados das políticas protecionistas, da incerteza geopolítica e da retração do investimento privado. De acordo com a OCDE, o crescimento da economia em 2026 deverá abrandar de 3,3% em 2024 para 3,2% em 2025. Em 2026, situar-se-á nos 2,9%. Esta desaceleração espelha o esgotamento dos efeitos temporários de estímulos antecipados, assim como o impacto de tarifas mais elevadas e de uma incerteza política persistente. O FMI apresenta, contudo, uma perspetiva ligeiramente mais otimista para a economia em 2026. No “World Economic Outlook” (outubro de 2025), estima que o crescimento mundial atinja 3,2% em 2025 e 3,1% em 2026. Nesse sentido, a instituição destaca a capacidade de adaptação do setor privado, que antecipou importações, diversificou fornecedores e reorganizou cadeias de abastecimento para mitigar o impacto das novas barreiras comerciais. Essa imperiosa agilização operacional revelou-se crucial, até agora, para atenuar os efeitos mais severos das restrições tarifárias. Por sua vez, o Banco Mundial adota uma visão mais prudente. No relatório “Global Economic Prospects” (junho de 2025), projeta que o crescimento global abrande para 2,3% em 2025 e recupere de forma moderada para cerca de 2,5% em 2026–2027. Esta ligeira recuperação dependerá, sobretudo, da capacidade de ajustamento dos fluxos comerciais e da estabilização das políticas monetárias nos principais blocos. Dessa forma, a economia em 2026 deverá mesmo caracterizar-se por um ritmo de crescimento inferior à média histórica. A blindagem das cadeias de abastecimento e o fortalecimento da cooperação entre parceiros estratégicos serão, portanto, determinantes para evitar uma contração mais acentuada do comércio internacional, assegurando um trajeto de recuperação sustentável. O que pesa na inflação em 2026? A economia em 2026 deverá manter um quadro inflacionista globalmente moderado, mas com fortes disparidades regionais. Embora a tendência geral aponte para uma desaceleração no incremento dos preços, persistem pressões em algumas economias avançadas, nomeadamente, nos EUA e no Reino Unido. De acordo com o FMI, a confiança nos bancos centrais e na sua capacidade para garantir a estabilidade dos preços permite que as expectativas de inflação permaneçam bem ancoradas, mitigando riscos de descontrolo monetário. A instituição prevê, portanto, que a inflação global recue para 4,2% em 2025 e para 3,7% em 2026, fruto do impacto de políticas monetárias restritivas e da estabilização dos preços da energia e dos alimentos. Porém, a instituição alerta para a possibilidade de se gerarem riscos assimétricos: inflação acima das metas nos EUA e mais contida nas demais economias avançadas e emergentes. O Banco Mundial corrobora esta perspetiva, embora sublinhe que a inflação global permanecerá ligeiramente acima das metas fixadas pelos bancos centrais. À luz das suas estimativas, a inflação ponderada pelo PIB deverá situar-se em torno de 2,9% em 2025 e 2026, com variações significativas entre regiões. Em suma, a economia em 2026 enfrentará um equilíbrio delicado entre a necessidade de consolidar a estabilidade de preços e o imperativo de apoiar o investimento e o crescimento. Quais são as projeções para o comércio global em 2026? Neste âmbito, o Banco Mundial projeta que o volume de trocas comerciais abrande de 3,4% em 2024 para 1,8% em 2025. Seguir-se-á, então, uma recuperação gradual para 2,4% em 2026 e 2,7% em 2027 — valores significativamente abaixo da média pré-pandemia. Com efeito, os países mais expostos aos mercados emergentes deverão recuperar mais rapidamente do que aqueles cuja atividade depende sobretudo das economias avançadas. Este cenário permanece, todavia, sujeito a riscos consideráveis, sobretudo devido à possibilidade de uma nova escalada das restrições comerciais. Destaca-se, nesse sentido, a centralidade das relações comerciais bilaterais entre os EUA e a China. “Mesmo sem agravamento adicional, a incerteza relacionada com as políticas comerciais e outras medidas pode abrandar o investimento — um componente do PIB com forte intensidade de importações — e reduzir o comércio mais do que o previsto”, sublinha ainda o Banco Mundial. Como se vão comportar os principais blocos económicos? O desempenho da economia em 2026 deverá revelar-se heterogéneo entre as principais regiões do globo, com diferentes graus de exposição a estas fricções comerciais e geopolíticas. A OCDE frisa, portanto, que há sinais de moderação do consumo nas grandes economias — caso dos EUA, China e União Europeia (UE). Sinais de arrefecimento nos EUA Esta potência norte-americana continuará a desempenhar um papel central na economia em 2026. Não só pelo peso do seu mercado interno, mas também pelo impacto decisivo das políticas tarifárias na configuração das cadeias de valor internacionais. As taxas alfandegárias efetivas atingiram, em meados de 2025, o valor mais elevado desde a década de 1930, segundo a OCDE. Originaram, assim, um incremento dos custos de importação e uma desaceleração do comércio bilateral com as principais economias. Ainda que a robustez do setor tecnológico e o investimento em inteligência artificial mantenham um contributo positivo, estes fatores não deverão compensar integralmente o efeito contracionista das novas barreiras comerciais e das restrições à imigração. Por conseguinte, a OCDE projeta que o crescimento do PIB norte-americano abrande de 2,8% em 2024 para 1,8% em 2025. Em 2026, recuará para 1,5%. O FMI apresenta uma perspetiva ligeiramente mais otimista, apontando para uma estabilização em torno de 2% ao ano. China desacelera crescimento A evolução da política de tarifas tem feito oscilar as previsões concernentes à economia chinesa, ainda que “a antecipação de fluxos no comércio internacional e um consumo interno relativamente robusto, apoiado pela expansão orçamental em 2025, mais do que compensou os ventos contrários decorrentes da maior incerteza”, refere o FMI. Este organismo prevê, pois, um crescimento de 4,8% em 2025. 4,2% Taxa de crescimento da China esperada para 2026, segundo o FMI, sinalizando uma desaceleração em relação ao período homólogo. Por sua vez, a OCDE projeta uma expansão do PIB de 4,9% em 2025 e de 4,4% em 2026. Quanto à inflação, aponta para um incremento gradual, partindo de um ponto muito baixo. Esta dinâmica resulta, em parte, da imposição de taxas aduaneiras mais elevadas sobre os bens importados dos EUA. Equacionando fatores de longo prazo, como o abrandamento do crescimento da produtividade, o envelhecimento da população e os elevados níveis de dívida soberana, o Banco Mundial antecipa uma desaceleração estrutural do crescimento da China. Passará, então, de 4,5% em 2025 para 4% em 2026 e 3,9% em 2027. União Europeia demonstra resiliência Este bloco económico deverá manter um crescimento modesto, mas relativamente estável, alicerçado num mercado de trabalho resiliente e em políticas de investimento público orientadas para a transição digital e energética. O FMI antecipa, pois, uma expansão de 1,2% em 2025 e de 1,1% em 2026 para a zona euro. As previsões da OCDE são similares, apontando, portanto, para um crescimento do PIB de 1,2% em 2025 e de 1,0% em 2026. Indica, nesse sentido, que o acesso mais facilitado ao crédito poderá compensar o clima comercial tenso e as incertezas geopolíticas. A Comissão Europeia, mais otimista, prevê que o PIB da UE cresça 1,4% em 2025 e 2026, suportado pelo dinamismo dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e por condições de financiamento ainda favoráveis. No que concerne aos preços, a inflação deverá recuar para níveis próximos da meta do Banco Central Europeu, situando-se em torno de 2% entre 2026 e 2027. Recuperação gradual da economia portuguesa No contexto das projeções para a economia em 2026, Portugal deverá manter um desempenho acima da média europeia. Beneficia, sobretudo, de um mercado de trabalho dinâmico, da recuperação do investimento privado e do impacto positivo da entrada de fundos comunitários. A Comissão Europeia antecipa, assim, uma trajetória de crescimento económico moderado mas sustentado, com o PIB a expandir-se 1,9% em 2025 e 2,2% em 2026, estabilizando em 2,1% em 2027. O Banco de Portugal converge, no seu Boletim de Outono, para uma leitura similar, ainda que antecipe para 2027 um crescimento inferior (1,7%). No capítulo da inflação, deverá registar-se uma descida gradual, passando de 2,2%, em 2025, para 2,0% nos dois anos seguintes, de acordo com a Comissão Europeia. Como reforçar a competitividade em 2026? A economia em 2026 continuará, inegavelmente, a exigir uma postura estratégica orientada para a proativa mitigação de riscos. Afinal, a pressão crescente sobre custos, prazos e fluxos comerciais obriga a repensar toda a arquitetura operacional dos negócios. Com efeito, a capacidade de diversificar fornecedores, otimizar redes logísticas e investir em soluções digitais sofisticadas será decisiva para contornar a instabilidade que marcará os próximos meses. Na Rangel, dispomos de um conjunto alargado de soluções logísticas pautadas pelo rigor e a excelência, desenhadas para reforçar a resiliência das supply chains e garantir agilidade num cenário global em constante transformação. Contacte-nos! REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). “OECD Economic Outlook, Volume 2025 Issue 1*Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). “OECD Economic Outlook, Interim Report September 2025”.Banco Mundial. “Global Economic Prospects”.Fundo Monetário Internacional (FMI). World Economic Outlook, October 2025”.Comissão Europeia. “Autumn 2025 Economic Forecast shows continued growth despite challenging environment”.Banco de Portugal. “Boletim Económico — outubro 2025”. Etiquetas:tendências
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